Muito além de um polo de compras, o Feiraguay se firmou ao longo dos anos como um dos espaços mais emblemáticos de Feira de Santana. Conhecido pelo comércio popular dinâmico e pela capacidade de antecipar tendências, o local agora passa a ocupar também o universo do cinema.

O documentário Feiraguay, dirigido por Francisco Gabriel Rêgo, propõe um olhar mais humano sobre o espaço, destacando as vivências de quem constrói diariamente a história do centro comercial. A produção foi selecionada para a mostra competitiva baiana da 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, onde teve sua primeira exibição.

Com cerca de uma hora de duração, o filme nasce de uma relação antiga do diretor com o local. Frequentador desde a infância, ele transformou lembranças pessoais em ponto de partida para investigar o papel do Feiraguay na formação social e econômica da cidade.

A narrativa se apoia em depoimentos de trabalhadores que fizeram do comércio uma forma de vida. São histórias marcadas por deslocamentos, esforço e adaptação, desde vendedores que buscavam mercadorias fora do país até aqueles que encontraram no espaço uma oportunidade de recomeço.

Ao longo de oito meses de produção, entre pesquisa e gravações, a equipe percorreu corredores, ouviu comerciantes e reuniu registros que misturam memória e cotidiano. O trabalho contou com a colaboração de coletivos audiovisuais baianos e apoio de representantes dos vendedores locais.

Mais do que retratar um centro comercial, o documentário constrói um panorama sobre as transformações urbanas e culturais da cidade. O Feiraguay aparece como reflexo vivo dessas mudanças, reunindo diferentes trajetórias em um mesmo espaço.

Exibições

Após a estreia, o filme segue em cartaz dentro da programação do festival, com sessões em Salvador e Cachoeira.

📍 30 de março — 19h35 | Cine Glauber Rocha (com debate)

📍 1º de abril — 13h10 | Cine Glauber Rocha (reprise)

A produção reforça o valor cultural de um dos espaços mais populares do interior baiano, levando para o cinema histórias que, até então, circulavam apenas entre corredores e barracas do Feiraguay.

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