O Palácio do Planalto decidiu apertar o passo para enviar ao Congresso um projeto que altera o modelo de trabalho conhecido como escala 6×1. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o tema ganhou força popular, mas segue avançando lentamente entre deputados e senadores.
A ideia é protocolar a proposta nos próximos dias, antes que o calendário eleitoral reduza o ritmo das votações no segundo semestre. Nos bastidores, integrantes do governo entendem que a medida pode ter forte apelo social e se tornar uma das principais vitrines da gestão federal.
O texto em elaboração prevê três pontos considerados inegociáveis pelo governo: garantia de duas folgas semanais, limite de 40 horas de trabalho por semana e manutenção dos salários atuais, sem redução de renda para os trabalhadores.
A proposta deve ser enviada em regime de urgência constitucional, mecanismo que obriga o Congresso a analisar o projeto em até 45 dias. Caso esse prazo não seja cumprido, a pauta do plenário fica travada até que a matéria seja votada.
A articulação política foi construída com participação de áreas estratégicas do governo, como a Secretaria de Comunicação Social, a Secretaria-Geral da Presidência e o Ministério do Trabalho. O ministro Guilherme Boulos, que assumiu recentemente a pasta, tem tratado o avanço da proposta como prioridade.
Apesar da movimentação do Executivo, a estratégia não é consenso dentro do Congresso. Lideranças da Câmara defendem que o tema seja discutido por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), caminho considerado mais amplo para mudanças estruturais nas regras trabalhistas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, chegou a sinalizar que a discussão poderia avançar nesse formato e indicou, ainda no início do ano, que haveria ambiente favorável para votação. A proposta via PEC já foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça em fevereiro.
Nos bastidores, a divergência sobre o formato revela uma disputa por protagonismo em torno de uma pauta com forte repercussão popular, e que pode influenciar diretamente o cenário político nos próximos meses.