O julgamento dos três homens apontados como envolvidos na morte da cantora gospel Sara Freitas começou nesta terça-feira (24), no Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. No banco dos réus estão o marido da artista, Ederlan Santos Mariano, além de Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel de Oliveira Neves.

Nesta primeira etapa, o júri ouviu testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa. A expectativa é de que os depoimentos continuem nesta quarta-feira (25), dando sequência ao processo que deve esclarecer a participação de cada um dos acusados no crime.

O caso, que provocou forte repercussão, deveria ter sido julgado ainda em novembro do ano passado, mas foi adiado após a saída dos advogados de defesa do plenário, sob alegação de falta de segurança. A Justiça considerou a atitude irregular e remarcou a sessão.

A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que o assassinato foi premeditado e contou com divisão de tarefas entre os envolvidos. O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido com agravantes, incluindo motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa.

Um dos participantes, o motorista por aplicativo Gideão Duarte de Lima, já foi julgado e condenado em 2025 a mais de 20 anos de prisão. Ele teria sido responsável por levar a cantora até o local onde o crime foi executado.

Divisão do dinheiro

De acordo com as apurações, o crime teria sido executado mediante pagamento de R$ 2 mil, valor que foi dividido entre os envolvidos:

  • R$ 900 ficaram com Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como Bispo Zadoque, apontado como executor e responsável pela ocultação do corpo;
  • R$ 500 foram destinados a Victor Gabriel de Oliveira, que teria imobilizado a vítima e também participado da ocultação;
  • R$ 400 ficaram com Gideão Duarte, responsável pelo transporte da cantora e dos envolvidos antes e depois do crime;
  • R$ 200 foram entregues a um homem identificado como “cantor Davi Oliveira”, que, segundo os investigados, tinha conhecimento do plano, mas não participou diretamente da ação.

A polícia não informou se esse último citado chegou a ser formalmente indiciado.

Prisões e andamento do caso

As prisões ocorreram dias após o crime. O marido da vítima foi o primeiro a ser detido, ainda em outubro de 2023. Já Weslen Pablo, conhecido como Bispo Zadoque e que mantinha proximidade com a cantora, foi preso em 14 de novembro.

No dia seguinte, 15 de novembro, Gideão Duarte e Victor Gabriel também foram capturados, em ações realizadas na Região Metropolitana de Salvador. Todos passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões mantidas.

Os três acusados que agora enfrentam o júri seguem custodiados e aguardam a decisão final da Justiça. O caso continua sendo acompanhado de perto e levanta discussões sobre violência contra a mulher e a gravidade dos crimes praticados.

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