Imagens inéditas registradas por câmeras corporais da Polícia Militar, divulgadas neste domingo (22) pelo programa Fantástico, trouxeram novos elementos para a investigação da morte da soldado Gisele Alves Santana. O principal suspeito é o próprio marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que já responde na Justiça por feminicídio e fraude processual.

O crime aconteceu no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça.

Comportamento chamou atenção dos policiais

As gravações mostram a chegada das equipes ao local, por volta das 11h24, enquanto socorristas tentavam reanimar a vítima. Durante toda a ocorrência, o oficial aparece ao telefone e demonstra comportamento considerado incomum pelos agentes.

Em um dos momentos, ele apresenta sua versão: afirma que estava no banho quando ouviu um barulho e encontrou a esposa caída na sala. Também disse que a arma ficava guardada em local alto e trancado, sugerindo que a própria vítima teria efetuado o disparo.

Perícia contradiz relato

A investigação, no entanto, aponta inconsistências. De acordo com a perícia, seria inviável que Gisele alcançasse a arma no ponto indicado. Além disso, a disposição dos objetos no apartamento impediria que o oficial tivesse a visão descrita por ele.

Outro fator que levantou suspeitas foi o intervalo de tempo entre o disparo ouvido por uma vizinha por volta das 7h28 e o acionamento do socorro, que só ocorreu cerca de 25 minutos depois. Para os investigadores, esse período pode ter sido usado para alterar a cena.

Tentativa de banho durante ocorrência

As imagens também registram o momento em que o tenente-coronel insiste em tomar banho, mesmo após a chegada dos policiais. A atitude gerou preocupação entre os agentes, que comentaram a possibilidade de eliminação de vestígios importantes para a perícia.

Relação marcada por conflitos

Durante o atendimento, o oficial afirmou que o casal estava em processo de separação. No entanto, mensagens obtidas pela Polícia Civil indicam que a iniciativa teria partido da própria Gisele.

As investigações apontam ainda sinais de um relacionamento conturbado, com indícios de violência psicológica, física e até financeira. Segundo o delegado Lucas Lopes, há evidências de uma escalada de agressões ao longo do tempo.

Linha de investigação descarta suicídio

A hipótese de suicídio, sustentada pelo acusado desde o início, foi descartada pela polícia. A conclusão pericial indica que Gisele foi imobilizada por trás e atingida por um disparo na cabeça.

Mesmo após a prisão, o tenente-coronel manteve a mesma versão em depoimento.

Novas denúncias agravam situação

Após o caso vir à tona, outras acusações surgiram contra o oficial. Uma policial militar relatou ter sido vítima de assédio sexual. Segundo o depoimento, ele teria feito investidas sem consentimento e, posteriormente, promovido transferência como forma de retaliação.

Há ainda registros de denúncias anteriores envolvendo assédio moral contra outras policiais quando ele ocupava cargo de comando. As novas acusações serão analisadas pela Corregedoria.

Para a família da vítima, o avanço das investigações representa um passo importante na busca por justiça.

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