O avanço do envelhecimento da população tem trazido um alerta cada vez mais presente dentro das famílias: o crescimento dos casos de Alzheimer. A doença, considerada a forma mais comum de demência, afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo e ainda registra milhares de novos diagnósticos todos os anos.

Silencioso no início, o problema costuma se manifestar de maneira discreta, com pequenos esquecimentos que muita gente confunde com “coisa da idade”. Mas especialistas alertam que, quando essas falhas passam a atrapalhar a rotina, é hora de ligar o sinal de atenção.

De acordo com profissionais de neurologia, o Alzheimer compromete progressivamente funções como memória, raciocínio, linguagem, comportamento e autonomia. Os primeiros sinais geralmente aparecem a partir dos 60 ou 65 anos, sendo mais frequentes entre mulheres.

Entre os sintomas iniciais mais comuns estão esquecer compromissos recentes, repetir perguntas diversas vezes, perder objetos dentro de casa, ter dificuldade para encontrar palavras simples ou acompanhar conversas, além de mudanças de humor e comportamento sem motivo aparente.

Como a doença evolui

O Alzheimer é progressivo e costuma ser dividido em três fases.

Na etapa leve, os lapsos de memória ficam mais frequentes e a pessoa começa a ter dificuldade para organizar tarefas do dia a dia, como pagar contas ou cumprir horários. Pequenas alterações de personalidade também podem surgir.

Na fase moderada, o comprometimento se intensifica. O paciente pode se desorientar em lugares conhecidos, esquecer nomes de familiares, apresentar agitação, insônia e precisar de ajuda para atividades básicas, como cozinhar ou se vestir.

Já no estágio grave, a dependência é quase total. Há dificuldades para falar, se alimentar, caminhar e realizar cuidados pessoais, exigindo acompanhamento constante de cuidadores ou familiares.

Sinais que merecem atenção

Especialistas recomendam procurar avaliação médica quando surgirem sintomas como:

  • perda de memória recente;
  • repetição constante das mesmas perguntas;
  • dificuldade para tarefas simples do cotidiano;
  • confusão com datas e locais;
  • troca frequente de objetos de lugar;
  • alterações de humor, irritação, desconfiança ou isolamento social.

O diagnóstico precoce é fundamental para retardar a evolução da doença e melhorar a qualidade de vida.

Tratamento e acompanhamento

Ainda não há cura, mas o tratamento pode desacelerar o avanço dos sintomas. Ele combina medicamentos, acompanhamento neurológico, estimulação cognitiva, terapia ocupacional e controle de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

Unidades de referência, como o Hospital de Base do Distrito Federal, reforçam que o acompanhamento multidisciplinar ajuda a manter a autonomia do paciente por mais tempo e oferece suporte à família.

Dá para reduzir o risco?

Embora não exista prevenção garantida, hábitos saudáveis contribuem para proteger o cérebro. Manter a mente ativa com leitura, jogos de raciocínio, estudos, música ou novas habilidades fortalece as conexões neurais.

A prática regular de exercícios físicos também é apontada como aliada importante. Entidades como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) orientam manter uma rotina de atividades aeróbicas e de fortalecimento muscular, além de alimentação equilibrada e sono adequado.

Com informação e atenção aos primeiros sinais, é possível buscar ajuda mais cedo, planejar o cuidado e enfrentar o Alzheimer com mais dignidade e qualidade de vida.

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