Documentos oficiais revelam que o senador Carlos Viana, que preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, comprou uma aeronave avaliada em R$ 1,5 milhão. A aquisição foi feita por meio da empresa Fazenda Salto Grande Ltda., da qual ele é sócio-administrador.
O valor pago pelo avião chama atenção por ser significativamente superior ao da negociação anterior. Três anos antes, o mesmo modelo havia sido vendido por R$ 330 mil, uma diferença que representa uma valorização de mais de quatro vezes no período.
A aeronave, um bimotor EMB-810D (Seneca III), fabricado em 1984, foi adquirida em abril de 2025 e teve o pagamento concluído cerca de seis meses depois. O avião está registrado para uso privado e transporte de pequeno porte.
A Fazenda Salto Grande, empresa envolvida na compra, está localizada no município de Verdelândia, no norte de Minas Gerais. Segundo dados da Receita Federal, o capital social da empresa é de R$ 400 mil. Já na última declaração de bens apresentada, em 2024, o senador informou possuir um patrimônio de aproximadamente R$ 3,5 milhões.
Histórico de negociações
O avião acumula diversas transações ao longo das últimas décadas, com valores que variaram conforme o período e as condições do mercado. Desde sua fabricação, em 1984, o modelo passou por sucessivas vendas, incluindo registros em diferentes moedas antes do Plano Real, até chegar à negociação mais recente em 2025.
Não há, nos documentos oficiais, explicações detalhadas sobre os motivos da expressiva valorização recente. As certidões disponíveis indicam apenas os registros das transferências e os valores declarados, sem informações técnicas sobre o estado da aeronave ou eventuais melhorias realizadas ao longo do tempo.
Versão do vendedor
O piloto responsável pela venda, Antonio Tadeu da Silva, afirmou que o aumento no valor está ligado a um processo de recuperação da aeronave. Segundo ele, o avião estava parado por falta de manutenção e passou por uma ampla revisão antes de ser negociado.
De acordo com o piloto, foram realizados serviços como troca de peças, revisão dos motores e hélices, além da atualização do painel e substituição de componentes desgastados. Ele sustenta que o investimento na recuperação superou o valor final da venda.
A negociação, ainda segundo o vendedor, foi intermediada por empresas autorizadas pela Agência Nacional de Aviação Civil e registrada no sistema oficial do Registro Aeronáutico Brasileiro.
Posicionamento do senador
Em nota, o senador afirmou que a compra foi realizada de forma regular por uma empresa legalmente constituída. Ele destacou que a Fazenda Salto Grande atua no setor agropecuário e que a aeronave é utilizada para fins privados ligados às atividades da empresa.
O parlamentar também argumentou que comparações entre o valor do bem e sua remuneração pública não consideram rendimentos provenientes de suas atividades empresariais. Sobre os custos de manutenção mencionados, classificou as estimativas como genéricas e disse que não refletem a realidade operacional do avião.
O caso segue repercutindo, principalmente pela diferença de valores nas negociações recentes e pela ausência de detalhes técnicos nos registros públicos que expliquem, de forma objetiva, a valorização do equipamento.