A insatisfação com a demora no atendimento médico e a falta de políticas públicas eficazes de segurança voltou a ganhar as ruas de Feira de Santana na manhã desta segunda-feira (23). Moradores aproveitaram a presença de autoridades durante um evento oficial no bairro Alto do Papagaio para cobrar soluções e denunciar o que classificam como abandono do poder público.

O protesto aconteceu no local onde seria anunciado o Centro Comunitário pela Vida (Convive), com a participação do prefeito José Ronaldo de Carvalho, do senador Jaques Wagner e do ministro da Casa Civil Rui Costa. Em vez de aplausos, o que se ouviu foram críticas e cobranças.

A maior queixa é a fila da regulação estadual, apontada por moradores como um gargalo que tem custado vidas. Pacientes aguardam dias às vezes semanas por transferência hospitalar. Segundo relatos, alguns não resistem ao tempo de espera.

“Teve gente que morreu esperando vaga. Isso é desumano”, desabafou a moradora Júlia Santana, do bairro Baraúnas. Ela contou que também já precisou do sistema e só conseguiu atendimento porque o caso foi considerado simples.

A manifestação também levantou questionamentos sobre a segurança pública. Para os moradores, operações policiais isoladas não resolvem o problema estrutural da violência. Eles defendem programas permanentes de educação, esporte, cultura e qualificação para jovens.

O ato acabou escancarando um desgaste político cada vez mais evidente. Enquanto o governo anuncia obras e novos equipamentos, serviços básicos seguem sobrecarregados, o que tem abalado a confiança da população. Para quem vive a realidade da ponta, discursos e inaugurações já não bastam.

Sem confronto, o protesto terminou, mas deixou um recado claro: a cobrança agora é por resultado, não por promessa.

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