O que antes era visto com desconfiança e preconceito hoje conquistou espaço, respeito e mercado. A tatuagem deixou de ser apenas uma expressão cultural alternativa para se firmar como fonte de renda.

O que já foi visto como rebeldia ou modismo se transformou em profissão, com estúdios cheios, agenda apertada e clientes cada vez mais exigentes. Em Feira de Santana, essa transformação tem nome e sobrenome: Kanario, tatuador conhecido pelo traço autoral e pelo estúdio sempre movimentado.

Com anos de experiência, ele acompanha de perto a mudança de mentalidade do público. “Hoje a tatuagem é arte. As pessoas pesquisam, planejam, querem algo que conte a história delas. Virou um trabalho sério, que exige técnica, estudo e responsabilidade”, afirma.

Segundo ele, o profissional moderno não vive apenas do talento. É preciso investir em biossegurança, equipamentos de qualidade, cursos, gestão de agenda e presença nas redes sociais. “Quem acha que é só desenhar está enganado. A gente empreende, atende clientes, administra material, cuida da saúde e ainda precisa evoluir artisticamente o tempo todo”, explica.

Mercado aquecido:

A profissão, que durante décadas foi marginalizada, hoje atrai jovens que buscam caminhos fora das carreiras tradicionais. Estúdios se multiplicam, convenções de tatuagem lotam, e a procura por trabalhos personalizados cresce a cada ano.

Kanario observa que o perfil do cliente também mudou. “Antes era mais restrito. Agora atendo pessoas de todas as idades. A tatuagem virou algo natural”, relata.

O retorno financeiro pode ser atrativo, mas ele faz um alerta para quem pensa em começar: não existe atalho. “Tem que estudar desenho, entender pele, higiene e aprender com quem já está no ramo. É uma profissão artística, mas também muito técnica.”

Tradição antiga:

Marcar o corpo não é algo recente. Historiadores apontam que a tatuagem acompanha a humanidade há milhares de anos. Um dos registros mais antigos foi encontrado no corpo de Ötzi, a múmia conhecida como “Homem do Gelo”, com mais de 5 mil anos, descoberta nos Alpes, que já apresentava marcas tatuadas na pele.

Esse passado ancestral ajuda a explicar por que a tatuagem resistiu ao tempo e, hoje, ressurge com força como forma de identidade, arte e profissão.

Profissão que exige postura:

Para Kanario, o maior desafio ainda é combater estereótipos. “Muita gente acha que não é trabalho sério. Mas é uma carreira como qualquer outra. Exige disciplina, horário e respeito ao cliente. Quem encara assim, cresce”, pontua.

Em Feira de Santana e cidades vizinhas, ele se tornou exemplo de que talento aliado ao profissionalismo pode transformar paixão em um negócio sólido. E, para quem sonha em entrar na área, o conselho é direto: “Treine muito, busque referência e leve a tatuagem como profissão, não como hobby.”

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