Trinta e nove pacientes foram resgatados de uma clínica de reabilitação durante uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira (22), em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. O estabelecimento é investigado por suspeitas de tortura, maus-tratos e possível envolvimento em duas mortes.
O gerente da clínica Terra Santa Videira, que oferece atendimento voltado à assistência psicossocial e ao tratamento de dependência química, foi preso durante a ação. O homem foi identificado como Charles Vinícius.
De acordo com relatos de ex-internos, pacientes teriam sido submetidos a agressões, choques elétricos e até pendurados de cabeça para baixo. Também há denúncias de que internos eram dopados, ameaçados e obrigados a realizar trabalhos forçados.
As investigações começaram no fim de dezembro de 2025, após Geovane Santana Lopes, que estava internado na instituição, ser encontrado com graves queimaduras dentro da clínica. Na ocasião, a unidade afirmou que o próprio paciente teria provocado os ferimentos, versão contestada pela família.
Geovane foi levado para uma unidade de saúde e permaneceu internado até 4 de maio deste ano, quando sua morte foi confirmada.
Cinco dias depois, Iago Marques Formiga, que trabalhava como monitor da clínica, desapareceu. Ele havia sido paciente do local e, após concluir o tratamento, passou a atuar na própria instituição.
Dez dias depois, o corpo de Iago foi encontrado carbonizado em uma área às margens da BA-530, em Camaçari. Até o momento, a polícia ainda não confirmou se as mortes de Geovane e Iago têm alguma relação.
Denúncias motivaram novas investigações
Após os dois casos, um ex-interno procurou as autoridades e relatou supostos episódios de violência dentro da clínica. Segundo ele, pacientes eram ameaçados, agredidos e submetidos a condições consideradas abusivas.
As denúncias passaram a ser investigadas paralelamente aos inquéritos relacionados às mortes.
Familiares dos pacientes pagavam cerca de R$ 1,2 mil por mês pelo tratamento na instituição.