O acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, discutido ao longo de mais de duas décadas, tem potencial para elevar em cerca de US$ 7 bilhões as exportações brasileiras para o mercado europeu. A estimativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Após sucessivos adiamentos, o entendimento avançou em dezembro, quando embaixadores da União Europeia deram sinal verde provisório para a assinatura do pacto, considerado o maior acordo comercial já negociado pelo bloco europeu. A etapa foi marcada por intensas negociações para assegurar o apoio de países-chave da UE.
De acordo com a Apex, o tratado envolve um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado próximo de US$ 22 trilhões. Em nota, o presidente da agência, Jorge Viana, destacou o peso estratégico da parceria. Segundo ele, o fluxo comercial entre Brasil e União Europeia é o segundo mais relevante para o país, atrás apenas da China, com a vantagem de ser um comércio equilibrado, com volumes semelhantes de exportações e importações.
Viana também ressaltou que o acordo ganha ainda mais relevância diante do cenário internacional atual, marcado pela perda de força de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global. Para a Apex, o pacto vai na contramão dessa tendência e reforça a integração econômica entre os blocos.
Impacto do tarifaço e novas oportunidades
A agência aponta que, como resposta às barreiras tarifárias impostas recentemente pelos Estados Unidos, o Brasil intensificou sua estratégia de ampliação das relações comerciais com a Europa ao longo do último ano. Esse movimento resultou em um crescimento de cerca de 4% nas exportações brasileiras para o continente.
Outro ponto destacado é o perfil da pauta exportadora brasileira para a União Europeia. Mais de um terço dos produtos enviados ao bloco já corresponde a itens da indústria de transformação, o que indica maior valor agregado.
No setor industrial, o acordo prevê a redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, incluindo motores, geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Também surgem perspectivas positivas para segmentos como couro e peles, pedras de cantaria, cutelaria e produtos químicos.
Além disso, o tratado estabelece a diminuição gradual até a eliminação de tarifas sobre diversas commodities, dentro de limites de cotas. Entre os principais produtos brasileiros exportados para a União Europeia em 2025 estão carnes de aves e bovina, além do etanol.
A expectativa da Apex é que, com a consolidação do acordo, o Brasil amplie sua presença em um dos mercados mais exigentes e estratégicos do mundo, fortalecendo a competitividade da economia nacional.