As negociações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia com artistas e representantes do setor de entretenimento já refletem diretamente nos gastos dos municípios com as festas juninas de 2026. De acordo com o órgão, os acordos firmados até o momento resultaram em uma economia superior a R$ 21 milhões nas contratações realizadas para os festejos em diversas cidades do estado.
A iniciativa ganhou força nas últimas semanas com a adesão voluntária de 44 atrações musicais, entre cantores, bandas e grupos tradicionais do período junino. A medida alcança cerca de 620 contratos distribuídos por mais de 200 municípios baianos.
Segundo levantamento do MPBA, a redução média obtida nas negociações foi de 11,57% sobre os valores inicialmente previstos para os cachês, o que representa uma economia estimada em R$ 21,05 milhões aos cofres públicos.
Entre os artistas que aceitaram participar do acordo estão nomes consagrados do forró e da música popular brasileira, como Adelmário Coelho, Mastruz com Leite, Limão com Mel, Solange Almeida e Paula Fernandes. A lista também inclui Devinho Novaes, Tyrone, Netto Brito, Daniel Vieira, Fulô de Mandacaru, Chambinho do Acordeon e Silvano Sales.
Para o Ministério Público, o resultado demonstra que é possível conciliar a realização dos festejos com a responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. A promotora de Justiça Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público, destacou que o entendimento construído com artistas e empresários fortalece a transparência e contribui para tornar as contratações mais equilibradas.
A ação faz parte de um trabalho conjunto envolvendo o MPBA, os Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios, além da União dos Municípios da Bahia e Ministérios Públicos de Contas. O objetivo é garantir que os valores pagos pelas administrações municipais estejam compatíveis com a realidade do mercado e respeitem os princípios de responsabilidade fiscal.
Como parâmetro técnico, os órgãos utilizam os valores praticados pelos artistas durante o ciclo junino de 2025, atualizados pela inflação medida pelo IPCA. O critério serve como referência para avaliação dos contratos, sem estabelecer tabelamento ou limite obrigatório para os cachês.
Nas negociações, também é aplicada uma metodologia que considera tanto a proposta inicial apresentada para 2026 quanto a média dos contratos realizados no ano anterior, permitindo a construção de acordos que busquem equilíbrio entre a valorização dos artistas e o controle dos gastos públicos.