Cláudio Eduardo Campanha da Silva, conhecido como Cláudio Campanha e apontado pelas autoridades como um dos fundadores da facção criminosa Comando da Paz (CP), foi colocado em liberdade após decisão da Justiça da Bahia que autorizou a progressão de sua pena para o regime aberto.
A decisão foi proferida pela Vara do Júri e Execuções Penais de Lauro de Freitas, que determinou a expedição do alvará de soltura, desde que não houvesse outra ordem de prisão em vigor contra o detento. Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que o apenado cumpriu os requisitos previstos em lei para obter o benefício, como o tempo mínimo de cumprimento da pena, bom comportamento carcerário e a inexistência de impedimentos judiciais.
Apesar da liberdade, Cláudio Campanha terá de cumprir uma série de condições estabelecidas pela Justiça. Entre elas estão manter endereço fixo e atualizado, comparecer periodicamente ao Judiciário, permanecer em recolhimento domiciliar durante o período noturno, não portar armas e evitar a frequência em bares, festas e outros locais considerados incompatíveis com as regras do regime aberto. O descumprimento dessas determinações poderá resultar na revogação do benefício e no retorno ao regime anterior.
Cláudio Campanha ganhou notoriedade no cenário do crime organizado baiano por ser apontado como um dos fundadores do Comando da Paz, facção criada dentro do sistema prisional da Bahia. Em 2005, após a morte de Eberson Souza Santos, conhecido como Pitty, ele passou a liderar o grupo.
Segundo investigações das forças de segurança, durante o período em que esteve preso no Presídio Salvador, Campanha continuou exercendo influência sobre a organização criminosa, sendo apontado como responsável por coordenar o tráfico de drogas e determinar ataques contra ônibus, módulos policiais, assaltos e outros crimes registrados na capital baiana e na Região Metropolitana.
Em 2008, ele foi preso no Ceará e, no ano seguinte, transferido para o sistema penitenciário federal. Ao longo da pena, passou pelas penitenciárias federais de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e de Catanduvas, no Paraná, unidades destinadas a presos considerados de alta periculosidade.
Posteriormente, retornou ao sistema prisional da Bahia, onde permaneceu inicialmente na Unidade Especial Disciplinar (UED), no Complexo Penitenciário da Mata Escura. Em 2020, passou a cumprir pena em regime semiaberto na Colônia Penal Lafayete Coutinho, em Salvador.
No mesmo período, o Comando da Paz deixou de atuar de forma independente e seus remanescentes passaram a integrar o Comando Vermelho (CV), mudança que alterou o cenário das disputas entre facções criminosas em Salvador e na Região Metropolitana.