Mais uma família destruída pela violência. Mais uma vida interrompida de forma brutal. E uma pergunta que muita gente já não sabe mais como fazer: até quando vamos aguentar isso?

Brenda Nicole Alves tinha a vida pela frente. Filha de dois policiais militares, fazia estágio na área de Direito e voltava de uma festa com o namorado quando foi baleada durante uma tentativa de assalto no bairro do Imbuí, em Salvador. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o criminoso teria exigido o celular da jovem antes de atirar e fugir.

Brenda não pode ser lembrada apenas como mais uma vítima. Ela tinha família, amigos, planos e uma história. Tinha pessoas esperando sua volta para casa e uma vida inteira pela frente, que acabou de maneira violenta.

E é justamente aí que precisamos parar para pensar. Enquanto uma família chora a perda de Brenda, tantas outras famílias na Bahia também carregam suas próprias histórias de medo, insegurança e luto. São amigos, vizinhos, parentes, trabalhadores e jovens que tiveram suas vidas marcadas ou interrompidas pela violência. Gente que sai para trabalhar, estudar, se divertir ou simplesmente voltar para casa sem saber se vai conseguir chegar em segurança.

A violência deixou de ser uma preocupação distante para fazer parte da rotina. É o amigo que foi assaltado, o vizinho que teve a casa invadida, o trabalhador que perdeu seus bens, o comerciante ameaçado e a família que muda seus horários por medo. Aos poucos, as pessoas vão deixando de fazer coisas simples porque não se sentem seguras.

E não podemos aceitar que cada nova morte seja recebida apenas como mais uma ocorrência policial. Por trás de cada número existe uma pessoa. Existe uma mãe, um pai, um filho, um irmão, um amigo. Existe uma família que vai precisar conviver para sempre com uma ausência que não escolheu ter.

A população está cansada de sentir medo, de mudar a própria rotina e de viver com a sensação de que pode ser a próxima vítima. Até onde vamos chegar? Quantas famílias ainda precisarão sofrer para que a violência seja enfrentada com a urgência que a população espera?

A morte de Brenda não pode ser apenas mais uma notícia que desaparece depois de alguns dias. Hoje é Brenda, uma jovem que saiu de casa e não voltou. Amanhã, outra família pode estar vivendo a mesma dor.

Não dá para tratar tantas mortes como se fossem apenas números. Cada uma delas deixa uma família destruída e mostra que ainda há muito a ser feito para devolver à população o direito de viver sem medo.

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Redação: Valter Junior 

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