O aumento de casos de infecções respiratórias no Brasil colocou especialistas em alerta nas últimas semanas. Levantamento divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz aponta cenário de risco elevado ou moderado para quadros graves de síndromes gripais em diversas regiões do país, incluindo o Distrito Federal e 18 estados. Em boa parte dessas localidades, a tendência é de crescimento nas notificações no curto prazo.
Os dados mais recentes indicam que, entre o fim de março e o início de abril, o rinovírus liderou entre os agentes identificados, seguido pela Influenza A e pelo vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por quase um quinto dos diagnósticos positivos no período.
Embora bastante comum, o VSR merece atenção especial por seu potencial de agravamento, principalmente entre bebês, idosos e pessoas com a imunidade comprometida. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus pode provocar desde sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado, até quadros mais severos que exigem internação, como a síndrome respiratória aguda grave.
Entre crianças pequenas, especialmente menores de dois anos, o vírus é uma das principais causas de bronquiolite, uma inflamação das vias respiratórias que pode dificultar a respiração e levar à hospitalização.
Vacina e novas estratégias de proteção
Diante do avanço dos casos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou recentemente a indicação da vacina Arexvy, que agora pode ser aplicada em adultos a partir dos 18 anos. Até então, o uso era restrito à população acima de 60 anos.
O imunizante, disponível na rede privada, foi o primeiro autorizado no país para prevenção de complicações causadas pelo VSR. A ampliação, segundo a agência, foi baseada em estudos que demonstraram eficácia semelhante em faixas etárias mais jovens.
Como ocorre a transmissão
A disseminação do vírus acontece principalmente por gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar. O contato com superfícies contaminadas também representa risco, especialmente quando há contato posterior com olhos, nariz ou boca.
Sintomas e sinais de alerta
Na maioria dos casos, a infecção começa com sinais leves, como coriza, tosse, espirros e febre. No entanto, em grupos mais vulneráveis, o quadro pode evoluir rapidamente.
Entre os sinais de agravamento estão dificuldade para respirar, cansaço excessivo, redução do apetite e alteração de comportamento, como sonolência ou irritação. Em situações mais críticas, pode ocorrer alteração na coloração da pele, indicando baixa oxigenação.
Quem corre mais risco
As complicações são mais frequentes em crianças pequenas, principalmente bebês com menos de seis meses, prematuros, pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares, além de idosos e pacientes com baixa imunidade.
Diagnóstico e tratamento
A identificação da infecção costuma ser feita com base na avaliação clínica. Em casos mais graves, exames laboratoriais podem confirmar a presença do vírus.
Não há medicamento específico para eliminar o VSR. O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas, com hidratação, controle da febre e, nos casos mais graves, suporte hospitalar com oxigênio.
Prevenção segue sendo essencial
Medidas simples continuam sendo as principais aliadas para reduzir o contágio: higienizar as mãos com frequência, evitar contato com pessoas doentes, manter ambientes ventilados e reduzir a exposição de grupos vulneráveis a locais fechados e cheios.
Para proteger recém-nascidos, o acompanhamento pré-natal também ganha destaque. O SUS oferece vacinação para gestantes a partir da 28ª semana, permitindo a transferência de anticorpos ao bebê ainda na gestação.
Além disso, crianças com maior risco podem receber proteção adicional por meio de anticorpos específicos. Uma nova medicação de longa duração, o nirsevimabe, deve ampliar essa estratégia nos próximos meses, reduzindo a necessidade de aplicações frequentes.
O cenário atual reforça a importância da vigilância e da prevenção, principalmente com a aproximação de períodos mais propícios à circulação de vírus respiratórios.