A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Acesso Negado para investigar suspeitas de irregularidades na utilização de recursos provenientes das chamadas emendas PIX. Ao todo, estão sendo cumpridos 41 mandados de busca e apreensão nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins.
As investigações têm como foco a aplicação das verbas federais nos municípios de Iracema e São Luiz do Anauá, em Roraima. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes localizaram dinheiro em espécie dentro de uma mochila que estava em um veículo. A PF não informou oficialmente o valor apreendido, mas fontes ligadas à investigação estimam que a quantia seja de aproximadamente R$ 230 mil.
As emendas PIX, criadas em 2019, permitem a transferência direta de recursos da União para estados e municípios por indicação de parlamentares, sem a necessidade de convênios ou projetos prévios, o que tem sido alvo de questionamentos por órgãos de controle devido às dificuldades de fiscalização.
De acordo com a Polícia Federal, a operação teve origem em auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que identificaram indícios de falhas no planejamento, na execução, na fiscalização e na transparência da aplicação dos recursos públicos.
Segundo os investigadores, os alvos desta fase da operação são gestores municipais, empresários e empresas suspeitos de envolvimento em contratos relacionados a obras que teriam sido abandonadas, executadas de forma irregular ou com indícios de superfaturamento. Até o momento, nenhum parlamentar é investigado nesta etapa.
Os mandados foram autorizados pelo ministro do STF, Flávio Dino, relator das ações envolvendo as emendas parlamentares. Em 2025, o magistrado já havia determinado a suspensão do envio de emendas PIX para nove municípios, entre eles São Luiz do Anauá e Iracema, após apontamentos de possíveis irregularidades.
As investigações apuram possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
Relatórios da CGU também apontam que parte das obras financiadas com essas emendas permanece paralisada, além de identificar falhas na transparência das contratações, ausência de informações em plataformas oficiais e dificuldades para rastrear a movimentação dos recursos públicos.