A Bahia recebeu, neste sábado (4), um lote de 90 ampolas de etanol farmacêutico, enviadas pelo Ministério da Saúde e armazenadas no almoxarifado da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). O medicamento é usado como antídoto em intoxicações causadas por metanol, substância tóxica utilizada ilegalmente na adulteração de bebidas alcoólicas. Atualmente, o estado investiga dois casos suspeitos: uma das vítimas não resistiu e a outra segue internada.

De acordo com a Sesab, cada tratamento completo pode demandar até 30 ampolas, o que torna a nova remessa um reforço estratégico para os hospitais da rede pública. A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, explicou que a medida tem caráter preventivo:

“É uma forma de preparar a rede para agir rapidamente, garantindo que o estado esteja pronto para atender situações de risco com segurança”, afirmou.

Nos últimos dias, a ingestão de bebidas adulteradas com metanol, como vodca, gin e uísque já provocou internações graves, casos de cegueira e mortes em São Paulo. O metanol, quando metabolizado pelo organismo, libera substâncias altamente tóxicas que afetam fígado, sistema nervoso central e nervo óptico, podendo causar falência múltipla de órgãos e morte.

Além do envio emergencial, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 12 mil novas ampolas de etanol farmacêutico e 2,5 mil unidades de fomepizol, outro antídoto utilizado nesses casos. Esses insumos se somam às 4,3 mil ampolas já disponíveis em hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A distribuição começou neste sábado, contemplando inicialmente Bahia, Pernambuco, Paraná, Mato Grosso e Distrito Federal.

Reunião emergencial em Salvador

Para discutir o cenário, a Sesab convocou uma reunião emergencial neste domingo (5), às 9h30, em sua sede no Centro Administrativo da Bahia (CAB), com formato híbrido (presencial e online). O encontro reunirá representantes de diversos órgãos estaduais e municipais, entre eles o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems-BA), Polícia Civil, Departamento de Polícia Técnica (DPT), Procon-BA, Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon-BA) e o Conselho Estadual de Saúde.

Também participam o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Estadual), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia (Ciatox), além de coordenadores dos Núcleos Regionais de Saúde (NRS).

Segundo Roberta Santana, o objetivo é alinhar estratégias entre os diferentes órgãos para que o estado tenha respostas rápidas e articuladas diante do risco do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.

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