Pesquisadores brasileiros passaram a fazer parte de um estudo internacional que tenta avançar na busca por tratamentos mais eficazes e, no futuro, por uma possível cura da hepatite B, doença que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose e câncer.

A iniciativa reúne equipes de quatro países. Brasil, Estados Unidos, Índia, Senegal e Uganda sob coordenação da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. No Brasil, participam pesquisadores do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho pretende investigar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em diferentes pacientes e de que maneira o sistema imunológico reage à infecção. Também serão acompanhadas pessoas que convivem simultaneamente com hepatite B e HIV.

No Espírito Santo, a pesquisa começou neste ano e terá duração prevista de aproximadamente cinco anos. A equipe pretende acompanhar 75 pacientes, dentro de um grupo internacional de 600 participantes. Cada país deverá contribuir com 150 pessoas.

A pesquisadora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, explica que um dos principais objetivos é entender por que a doença apresenta comportamentos diferentes de uma pessoa para outra. Os cientistas também vão procurar características genéticas relacionadas a uma evolução mais lenta da infecção e componentes do vírus que possam ajudar a indicar respostas ao tratamento.

A expectativa é que essas descobertas apontem possíveis alvos para o desenvolvimento de novos medicamentos, incluindo estratégias capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico.

O recrutamento dos voluntários começou em julho. Até agora, 40 pessoas já participam do estudo, e a meta é completar o grupo de 75 pacientes até o fim deste ano. O cronograma internacional prevê que essa etapa de recrutamento siga até meados de 2027.

Além da busca por novas alternativas de tratamento, os pesquisadores querem compreender melhor como impedir que a hepatite B avance para complicações graves. A infecção crônica está entre os fatores associados ao desenvolvimento de cirrose e do câncer primário do fígado.

Uma doença que pode passar despercebida

A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e muitas vezes não provoca sintomas durante anos. Em alguns casos, porém, a permanência do vírus no organismo pode provocar danos progressivos ao órgão.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de 240 milhões de pessoas vivem com hepatite B crônica no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado e por relações sexuais sem proteção. O vírus também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.

Vacinação é a principal forma de prevenção

Enquanto a ciência busca novas alternativas contra a doença, a vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção. No Brasil, o imunizante contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que ainda não foram vacinadas, independentemente da idade.

Para crianças, o esquema recomendado inclui doses ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos, normalmente são indicadas três doses para completar a proteção.

Também fazem parte das medidas preventivas o uso de preservativo nas relações sexuais e o cuidado para não compartilhar objetos que possam entrar em contato com sangue, como lâminas, agulhas e outros materiais perfurocortantes.

A pesquisa internacional representa mais uma frente na tentativa de compreender por que a hepatite B permanece no organismo de alguns pacientes e quais mecanismos poderiam, no futuro, ajudar a eliminá-la de forma definitiva.

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