A BYD estuda utilizar o terminal do Estaleiro Enseada, em Maragogipe, para movimentar cargas destinadas à fábrica da montadora na Bahia. A proposta, porém, esbarra em uma questão que preocupa o setor produtivo: as condições das rodovias que dão acesso à região e a capacidade de suportar o aumento do tráfego de caminhões pesados.
A montadora procurou a Enseada Indústria Naval S.A. para discutir uma possível parceria. O plano prevê o recebimento de cargas, a movimentação de contêineres, o armazenamento temporário e o posterior envio dos materiais à unidade industrial baiana. A operação também poderá incluir o retorno de contêineres vazios para exportação.
A empresa apresenta a iniciativa como uma alternativa emergencial e complementar à estrutura que utiliza atualmente em Salvador. Segundo a BYD, a limitação de espaço no terminal atual dificulta a movimentação e a armazenagem de determinados tipos de carga.
Em Maragogipe, no entanto, a estrutura de transporte terrestre é um dos principais pontos de atenção. O acesso à localidade de Enseada passa pelas rodovias BA-001 e BA-514, e o aumento da circulação de veículos de carga pode pressionar as vias, tanto pelo risco de congestionamentos quanto pelo desgaste do pavimento.
A escolha do terminal ainda depende de questões operacionais e regulatórias. A BYD também tenta viabilizar a utilização do Porto da Ford, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. O terminal, localizado na área de Aratu, é outra alternativa estudada para atender à logística da fábrica.
O governo baiano prorrogou por mais seis meses o contrato para estudos sobre a exploração do Terminal Portuário Miguel de Oliveira, conhecido como Porto da Ford. A iniciativa tem custo previsto de R$ 584,7 mil, mas a possibilidade de operação pela montadora ainda não foi definida.
Já a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) se posicionou contra a autorização emergencial para movimentação de contêineres no Estaleiro Enseada. A estatal levou sua contestação à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e defendeu que o pedido siga os procedimentos regulatórios previstos.
A Codeba afirma que o Porto de Salvador tem estrutura e capacidade para atender à demanda estimada de 28 mil TEUs por ano, unidade utilizada para medir a movimentação de contêineres. A companhia também questiona a concessão de uma autorização sem uma análise técnica mais aprofundada e cobra a comprovação das exigências ambientais, fiscais e aduaneiras.
Com a discussão ainda em andamento, a BYD mantém duas possibilidades em análise para ampliar sua estrutura logística na Bahia. A escolha dependerá da viabilidade da operação e das autorizações necessárias para o uso dos terminais.