Três policiais militares acusados de envolvimento na morte de três jovens na Gamboa de Baixo, em Salvador, serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão foi tomada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital, após o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Os réus são os policiais Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias. Eles respondem pela morte de Alexandre Santos dos Reis, de 20 anos; Cléverson Guimarães Cruz, de 22; e Patrick Sousa Sapucaia, de 16. Os três jovens morreram na madrugada de 1º de março de 2022, durante uma ação policial na comunidade.

A decisão de pronúncia foi assinada no dia 15 de julho. Ao analisar o caso, o juiz considerou que existem indícios suficientes de autoria e provas da materialidade dos crimes para que os acusados sejam julgados por um Conselho de Sentença.

Segundo a denúncia do Ministério Público, elaborada pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) em conjunto com a 2ª Promotoria de Justiça do Júri da Capital, os jovens foram mortos por disparos de arma de fogo durante a operação.

A acusação sustenta que não houve confronto armado. Conforme a versão apresentada pelo MP-BA, os três jovens teriam sido abordados pelos policiais enquanto participavam de uma festa na comunidade e, posteriormente, baleados.

Jovens foram assassinados em 2022 na Gamboa, em Salvador

Os policiais, por outro lado, afirmam que houve troca de tiros e que agiram em legítima defesa. Durante a instrução do processo, testemunhas apresentaram uma versão diferente e relataram que não teria ocorrido confronto e que as vítimas estavam desarmadas.

Diante das versões divergentes, o magistrado entendeu que cabe ao Tribunal do Júri analisar as provas e decidir se os policiais são responsáveis criminalmente pelas mortes.

A decisão também manteve as qualificadoras de motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, conforme solicitado pelo Ministério Público. A acusação aponta que os disparos teriam sido efetuados em uma área residencial e movimentada, durante um período festivo, colocando outras pessoas em risco.

Os três policiais responderão por três homicídios qualificados, em concurso material. Eles permanecerão em liberdade até a realização do julgamento.

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