Uma sequência de acontecimentos registrada nesta semana colocou o Exército Brasileiro no centro de uma investigação que envolve o desaparecimento de coletes balísticos do 6º Batalhão de Polícia do Exército (6º BPE), localizado no bairro do Imbuí, em Salvador.
Na segunda-feira (17), um homem de 27 anos, identificado como Elielson Silva de Jesus, foi encontrado morto em uma área de mata em Cajazeiras 6. Ele estava usando um colete à prova de balas e um coturno. Munições também foram encontradas nas proximidades do corpo. Segundo informações divulgadas na ocasião, a vítima havia desaparecido após uma troca de tiros registrada na região. As circunstâncias da morte ainda são investigadas.
Dias depois, o Exército identificou a ausência de material de emprego militar controlado dentro do 6º BPE. O Comando da 6ª Região Militar instaurou, na terça-feira (18), um Inquérito Policial Militar (IPM) para esclarecer o desaparecimento.
A quantidade de equipamentos não havia sido divulgada inicialmente, mas informações divulgadas nesta sexta-feira apontam que dez coletes balísticos desapareceram do batalhão. O Exército afirma que o material não é classificado como armamento ou munição.
No decorrer da apuração, um sargento do Exército foi preso em Fazenda Grande do Retiro, em Salvador. A prisão ocorreu no contexto da investigação sobre o desaparecimento dos coletes, mas ainda não foram divulgados detalhes sobre a participação atribuída ao militar no caso.
A situação também teria provocado tensão dentro do próprio batalhão. Familiares de alguns militares relatam que soldados estariam sendo mantidos nas instalações do Exército e impedidos de retornar para casa. Até o momento, essa informação não foi oficialmente confirmada pelo Comando da 6ª Região Militar.
O caso chama atenção pela proximidade entre os acontecimentos: primeiro, um homem é encontrado morto em Cajazeiras utilizando um colete balístico e um coturno; poucos dias depois, o Exército confirma o desaparecimento de equipamentos semelhantes de uma unidade militar de Salvador e prende um sargento durante a investigação.
Ainda não há confirmação oficial de que o colete encontrado com a vítima tenha saído do 6º BPE ou tenha qualquer relação com os equipamentos desaparecidos. Essa possível ligação deverá ser esclarecida pelas investigações.
Em nota, o Comando da 6ª Região Militar informou que instaurou o IPM após identificar a ausência de material controlado nas instalações do batalhão e afirmou que mantém o compromisso com a apuração dos fatos, a verdade, a ordem e a defesa da Pátria.