A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realiza nesta terça-feira (26/8), às 9h, sua primeira reunião de trabalho. O encontro definirá as regras de funcionamento do colegiado e analisará uma série de convocações.

Instalada em 20 de agosto, a comissão terá encontros regulares às segundas e quintas-feiras. Segundo o presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG), os dias foram escolhidos para não coincidir com sessões do Congresso, evitando manobras do governo para atrasar os trabalhos.

O relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou que a CPMI “seguirá o caminho do dinheiro” e previu penas superiores a 30 anos para os envolvidos nas fraudes.

Plano de trabalho

Ao menos 35 requerimentos serão votados, incluindo pedidos de informações e convocações de ex-ministros e ex-presidentes do INSS de diferentes governos — de Lula a Bolsonaro, passando por Dilma Rousseff e Michel Temer.

Entre os nomes na mira estão:

  • Eliane Viegas Mota (CGU),
  • Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi (PF),
  • Patrícia Bettin Chaves (DPU),
  • José Carlos Oliveira, Carlos Lupi e Carlos Eduardo Gabas (ex-ministros),
  • Além de oito ex-presidentes do INSS.

Primeira reunião

  • Acontece nesta terça (26/8), às 9h;
  • Demais encontros: segundas e quintas-feiras;
  • Vice-presidência será definida por consenso ou em até 3 semanas;
  • Oposição quer convocar nomes de gestões atuais e passadas.

Derrota do governo

A formação da CPMI representou um revés para o Planalto. Inicialmente, havia acordo para que Omar Aziz (MDB-AM) assumisse a presidência e Ricardo Ayres (Republicanos-TO) a relatoria. Porém, a oposição conseguiu eleger Carlos Viana para a presidência e Alfredo Gaspar como relator.

O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), admitiu falha na articulação, enquanto José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, classificou a derrota como “erro grave”. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, assumiu a responsabilidade: “Subestimamos a capacidade de mobilização da oposição”.

Estratégia do Planalto

Após o revés, ministros e parlamentares se reuniram no Palácio do Planalto para alinhar a estratégia. O encontro foi conduzido pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e contou com Rui Costa (Casa Civil), Wolney Queiroz (Previdência) e Sidônio Palmeira (Secom).

A aposta do governo é dividir os holofotes da CPMI com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, marcado para 2 de setembro.

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