Mesmo após fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões no fim do ano passado, os Correios continuam negociando com bancos para levantar novos recursos e sustentar o plano de recuperação financeira. A estatal ainda precisa captar cerca de R$ 8 bilhões para completar o montante considerado necessário pela gestão.
O tema foi abordado nesta quinta-feira (23) pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, durante apresentação dos resultados financeiros. Segundo ele, o ambiente de negociação mudou nos últimos meses e hoje há maior abertura das instituições financeiras para discutir novos financiamentos.
A corrida por crédito acontece em meio a um cenário delicado. A empresa enfrenta seguidos prejuízos desde 2022, pressionada por despesas elevadas, perda de receitas e transformações no mercado de entregas e logística.
O valor já contratado é tratado como essencial para garantir o funcionamento no curto prazo. Ainda assim, a avaliação interna é de que 2026 deve continuar sendo um ano difícil, com expectativa de melhora mais consistente apenas a partir de 2027.
Para tentar reverter o quadro, a direção aposta em um pacote de ajustes que inclui redução de custos, reorganização das operações, venda de ativos e busca por novas fontes de receita. Também está em curso um plano de desligamento voluntário, que previa adesão de até 10 mil trabalhadores, mas até agora teve alcance bem abaixo do esperado.
Outro ponto em análise é o encerramento de unidades que operam no vermelho, como forma de diminuir o impacto das despesas fixas.
Os dados mais recentes evidenciam o tamanho do desafio. Em 2025, os Correios fecharam o ano com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Apesar de uma receita bruta de R$ 17,3 bilhões, a estatal foi fortemente impactada por gastos com ações judiciais, que somaram R$ 6,4 bilhões. O patrimônio líquido terminou negativo em R$ 13,1 bilhões.
De acordo com a direção, a dificuldade de reduzir despesas na mesma velocidade da queda de receitas tem sido um dos principais entraves. Sem as medidas de reestruturação, a projeção interna indicava um prejuízo ainda maior já no próximo ano.
Diante disso, a nova tentativa de captação é vista como passo decisivo para evitar o agravamento da crise e dar continuidade ao processo de recuperação da empresa.