A definição dos nomes que vão disputar vagas na Assembleia Legislativa da Bahia tem provocado tensão dentro do grupo de oposição no estado. Lideranças políticas de diferentes regiões têm demonstrado incômodo com o surgimento de novas pré-candidaturas em áreas onde já mantinham atuação consolidada, o que pode impactar diretamente o desempenho nas urnas.
À frente das articulações, ACM Neto (União Brasil) enfrenta resistência de aliados ao tentar equilibrar interesses e ampliar a chapa. O cenário mais delicado envolve cidades estratégicas como Salvador, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista e Teixeira de Freitas, onde a entrada de novos nomes tem sido vista como ameaça por parlamentares com mandato.
Em Vitória da Conquista, a movimentação da prefeita Sheila Lemos (União Brasil) ao lançar o nome do marido, Wagner Lemos, para deputado estadual, gerou desconforto. O deputado Tiago Correia (PSDB), que possui base eleitoral no município, foi surpreendido com a articulação. Apesar de negar qualquer ruptura, ele admitiu a necessidade de diálogo para evitar divisão de votos. Nas eleições anteriores, Correia teve desempenho expressivo na cidade.
Na Região Metropolitana de Salvador, o cenário também aponta disputa interna. Em Lauro de Freitas, a possível candidatura de Antônio Rosalvo, recém-chegado ao PSDB após passagem pelo PT, pode fragmentar a base oposicionista local. O movimento atinge diretamente o deputado Pedro Tavares (União Brasil), que já possui atuação consolidada na cidade e deve contar com apoio da prefeita Débora Régis.
Em Salvador, maior colégio eleitoral do estado, o ambiente também não é de consenso. A pré-candidatura de Igor Dominguez (PL), ligado à gestão municipal, tem gerado incômodo entre deputados que já atuam na capital. Nos bastidores, há relatos de insatisfação de parlamentares que temem perder espaço diante de uma nova concorrência no principal reduto eleitoral baiano.
No extremo sul, o clima também esquentou. Em Teixeira de Freitas, a possível candidatura de Jonatas Santos (União Brasil) provocou reação dentro do grupo. O deputado federal Léo Prates (Republicanos), que contava com apoio político na região, teria sido surpreendido com a mudança de cenário. O que antes era alinhamento estratégico pode se transformar em disputa direta por votos.
Com diferentes frentes de insatisfação, a oposição enfrenta o desafio de evitar fragmentação interna em um momento decisivo de organização política. A montagem da chapa, que deveria fortalecer o grupo, passa a exigir habilidade para conter desgastes e manter a unidade em meio à disputa por espaço.