O endividamento do setor público brasileiro voltou a crescer em julho e atingiu um dos níveis mais altos dos últimos anos. Segundo dados divulgados pelo Banco Central a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,9 trilhões, o equivalente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O percentual representa o maior patamar desde abril de 2021, período ainda marcado pelos fortes impactos econômicos da pandemia. Em junho, a dívida correspondia a 81,9% do PIB.
A alta ocorreu mesmo com o setor público registrando resultado primário positivo de R$ 1,4 bilhão em julho. O número considera as receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.
O principal fator que pressionou o endividamento no mês foi justamente a incorporação dos juros, que acrescentou 0,8 ponto percentual à relação entre dívida e PIB. As emissões líquidas de títulos também contribuíram para o avanço.
No acumulado de 2026, a dívida bruta já aumentou 3,9 pontos percentuais em relação ao PIB. Desde o fim de 2022, quando estava em cerca de 71,7%, o crescimento supera dez pontos percentuais.
Outro dado que chama atenção é o custo dos juros. Nos 12 meses encerrados em julho, os juros nominais pagos pelo setor público somaram aproximadamente R$ 1,15 trilhão, equivalente a 8,67% do PIB.
Apesar do resultado positivo de julho, as contas públicas continuam apresentando saldo negativo no acumulado. Entre janeiro e julho, o déficit primário chegou a R$ 78,8 bilhões. Considerando os últimos 12 meses, o déficit ficou em R$ 89,3 bilhões.
O cenário aumenta a preocupação com o espaço para redução dos juros e com o custo do financiamento da própria dívida. Quanto maior o endividamento e a percepção de risco fiscal, maior tende a ser a pressão sobre os custos de crédito, afetando empresas, consumidores e investimentos.
Os números divulgados pelo Banco Central mostram, portanto, que o resultado positivo registrado em julho não foi suficiente para interromper a trajetória de crescimento da dívida brasileira.