A Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa que aparece em meio às investigações sobre a rede financeira ligada ao Banco Master, recebeu R$ 11,2 milhões da instituição apenas um mês depois de ser constituída. A empresa foi aberta em 1º de novembro de 2024 e recebeu os primeiros aportes em dezembro do mesmo ano.

Os dados, obtidos a partir de informações da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), mostram ainda que a Copenhagen recebeu outros R$ 46,6 milhões do Banco Master ao longo de 2025. Com isso, a empresa passou a figurar entre as que mais receberam recursos da instituição nos últimos anos.

O caso ganhou repercussão após o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitir duas notas fiscais, cada uma no valor de R$ 500 mil, para a Copenhagen, em abril de 2025. Os documentos foram posteriormente cancelados.

Dois dias depois, o escritório emitiu uma nova nota fiscal, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa, referente a serviços de assessoria jurídica.

As duas empresas têm ligação com Rogério Lourenço Novo. Ele aparece como responsável pela Copenhagen nos registros da Receita Federal e também é apontado como único sócio da Contábil Correa. Rogério ainda integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa que também aparece relacionada à estrutura empresarial ligada ao empresário Daniel Vorcaro.

Nesta quinta-feira (23), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou que a Polícia Federal inclua as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro nas investigações que envolvem o Banco Master, Daniel Vorcaro e a Trustee DTVM, administradora do fundo Estônia, apontado como principal acionista da Copenhagen.

O parlamentar afirmou que a sequência de emissão e cancelamento dos documentos fiscais deve ser investigada para esclarecer a origem e a destinação dos recursos envolvidos.

Defesa

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador possui contrato de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda.

Segundo a defesa, o escritório foi consultado sobre a possibilidade de atender uma cliente da empresa, a Copenhagen Assessoria, mas a contratação não foi concretizada. Por esse motivo, as notas fiscais emitidas para a Copenhagen foram canceladas e, segundo a assessoria, nenhum pagamento foi recebido da empresa.

Flávio Bolsonaro também negou ter conhecimento de qualquer ligação entre a BR Global, a Copenhagen e o Banco Master. A assessoria classificou como “sem fundamento” qualquer tentativa de associar o senador ao banco e afirmou que poderá adotar medidas judiciais contra os responsáveis.

A defesa ainda questionou como informações fiscais protegidas por sigilo chegaram à imprensa e afirmou que o caso poderá ser levado aos órgãos competentes para apuração.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *