Um estagiário de 21 anos de uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Itapuã, Salvador, foi preso temporariamente pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de envolvimento em um esquema de fraude contra benefícios previdenciários.
Segundo as investigações, o jovem faria parte de um grupo que alterava informações nos sistemas do INSS para obter pagamentos de forma irregular. Até agora, 97 benefícios foram identificados como fraudados, com prejuízo estimado em R$ 3,5 milhões.
A apuração começou há cerca de quatro meses, depois que a PF encontrou movimentações consideradas suspeitas nos sistemas da agência. Entre as fraudes investigadas está o cadastro de representantes legais sem autorização dos beneficiários. Com isso, essas pessoas passavam a ter acesso aos pagamentos mensais e também a valores atrasados.
Os investigadores também identificaram casos de benefícios suspensos que teriam sido reativados de maneira indevida, permitindo a liberação de valores retroativos. Outra irregularidade envolvia a renovação da prova de vida, fazendo com que pagamentos continuassem mesmo sem a confirmação de que os beneficiários estavam vivos.
A PF encontrou ainda registros de pessoas com mais de 100 anos entre os casos analisados. A presença de representantes cadastrados em diferentes estados também levantou a suspeita de que o esquema poderia ter atuação além da Bahia.
Além do estagiário preso, um jovem de 18 anos foi alvo de mandado de busca e apreensão. A operação cumpriu, ao todo, uma prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão em Salvador.
Fraudes poderiam gerar prejuízo de R$ 99 milhões
Durante a investigação, a PF descobriu situações em que os benefícios teriam sido criados de forma fraudulenta desde o início. Dados de pessoas que ainda nem haviam solicitado a aposentadoria teriam sido utilizados para abrir benefícios indevidamente.
De acordo com a estimativa dos investigadores, se as irregularidades não fossem descobertas, os pagamentos poderiam provocar um prejuízo de aproximadamente R$ 99 milhões aos cofres públicos.
Os suspeitos poderão responder por estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos nos sistemas da Previdência Social. A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e calcular a dimensão total das fraudes.