O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, 64 anos, foi morto a tiros na noite de segunda-feira (15), em Praia Grande, litoral paulista. Reconhecido pelo combate implacável ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o policial aposentado era considerado um dos maiores inimigos da facção.

Carreira marcada pelo enfrentamento ao crime organizado

Natural do interior de São Paulo, Ruy Ferraz iniciou sua trajetória na Polícia Civil em delegacias do interior e depois atuou em setores estratégicos da capital, como o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).

No início dos anos 2000, quando o PCC ainda era pouco conhecido e sua existência oficialmente negada, ele já participava de investigações no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) que miravam diretamente o crescimento da organização criminosa.

Em 2006, durante a série de ataques orquestrados pela facção contra forças de segurança e alvos civis em São Paulo, seu nome já estava associado ao enfrentamento direto ao grupo.

Reconhecimento e ameaças

Colegas de profissão exaltaram o trabalho de Ruy. “Um dos melhores delegados-gerais que conheci, Ruy foi executado covardemente após uma vida inteira dedicada a impor prejuízos ao crime organizado”, afirmou Raquel Kobashi Gallinati Lombardi, diretora da Adepol do Brasil.

Mas a atuação firme teve um preço: em 2019, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC, jurou matá-lo depois de ser transferido para o sistema penitenciário federal. A Secretaria de Segurança Pública de SP trata o crime como vingança. “Ele lutou muito contra a facção, certamente foi retaliação”, declarou o secretário-executivo Osvaldo Nico Gonçalves.

A execução

Imagens de câmeras de segurança mostram o ex-delegado tentando fugir de criminosos em um veículo, que colidiu com um ônibus e capotou. Em seguida, homens armados desceram de uma Toyota Hilux SW4 preta e atiraram várias vezes.

O carro usado no crime foi encontrado incendiado pouco depois. Duas pessoas que estavam próximas ficaram feridas, mas sem risco de morte, segundo a Prefeitura de Praia Grande.

 

Formação e funções públicas

Ruy acumulava mais de 40 anos de experiência na Polícia Civil e cursos de especialização, incluindo treinamento antidrogas e antiterrorismo na França e no Canadá.

Durante a carreira, chefiou divisões como o DHPP, o Denarc, o Deic e a própria Delegacia-Geral de Polícia de SP, além de atuar como professor de Criminologia e Investigação Policial.

Desde janeiro de 2023, ele ocupava o cargo de secretário de Administração de Praia Grande, posição que mantinha até a data do assassinato.

Histórico de atentados

Não era a primeira vez que Ruy escapava de situações de risco. Ao longo de duas décadas, já havia sobrevivido a diferentes tentativas de assalto e emboscadas.

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