Duas mulheres denunciaram ter sido vítimas de agressões físicas e ataques racistas praticados pelo antigo empregador dentro de um centro empresarial em Salvador. O episódio ocorreu na terça-feira (6) e foi registrado por câmeras e celulares. O suspeito nega todas as acusações e, até o momento, ninguém foi preso.

As denunciantes, Mônica Freitas e Naiane Ferreira, trabalharam por mais de um ano na empresa do homem apontado como agressor. Segundo elas, mesmo antes do desligamento, o ambiente de trabalho era marcado por intimidações constantes.

De acordo com Mônica, reuniões internas frequentemente terminavam em ameaças. “Ele dizia que, se saíssemos da empresa para trabalhar em outro lugar, seríamos mortas. Falava em traição, em vingança, em perseguição”, relatou.

Há cerca de quatro meses, as duas deixaram a empresa, mas continuaram atuando no mesmo edifício comercial. Segundo Naiane, as intimidações não cessaram após a saída. “Ele passava pelos corredores, encarava, fazia comentários e ameaças veladas. A gente pensou em procurar a polícia, mas o medo falou mais alto”, afirmou.

O caso ganhou novos contornos após publicações feitas pelo suspeito nas redes sociais. Em postagens comparando confraternizações da empresa em anos diferentes, ele associou a presença de pessoas negras a termos depreciativos e exaltou o que chamou de “clareamento” da equipe em outro evento. As imagens foram salvas pelas ex-funcionárias e anexadas como provas. Procurado, o empresário alegou que as publicações são montagens.

A situação evoluiu para violência física na tarde de terça-feira. Mônica contou que caminhava pelo corredor com um cliente quando foi empurrada pelo ex-chefe. Em seguida, segundo o relato, começaram as agressões verbais e físicas. “Ele disse que eu não trabalharia mais ali e que iria se vingar”, afirmou.

Ainda segundo as vítimas, a filha do empresário também teria participado das agressões. Ao ouvir a confusão, Naiane foi ao local e acabou sendo atingida. “Levei um soco na cabeça e caí no chão”, relatou.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram parte da briga envolvendo o empresário, a filha e as ex-funcionárias. O suspeito afirma que as imagens foram editadas e sustenta que a confusão começou após a filha dele ter sido agredida.

O caso foi registrado na Central de Flagrantes de Salvador e está sendo investigado como lesão corporal. As denúncias de racismo também devem ser analisadas no curso da apuração.

Em nota, a administração do condomínio informou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, classificou o episódio como isolado e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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