Feira de Santana foi palco, na manhã desta sexta-feira (27), da 14ª reunião ordinária do conselho gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Pedra do Cavalo. O encontro, realizado no auditório da Secretaria Municipal de Educação, mobilizou representantes do poder público, pesquisadores e membros da sociedade civil em torno de um tema central: a proteção dos recursos hídricos e o planejamento ambiental para os próximos anos.

A pauta principal girou em torno das diretrizes do plano de ação para 2026, com foco na segurança hídrica e no uso sustentável da água que abastece municípios da região. Ao longo do dia, foram apresentadas iniciativas já em andamento, além de propostas para fortalecer a fiscalização e ampliar ações educativas.

No período da tarde, os participantes seguiram para uma visita técnica em áreas consideradas estratégicas, incluindo o ponto de encontro entre os rios Jacuípe e Cavaco, além de nascentes locais. A atividade teve como objetivo mostrar, na prática, projetos de educação ambiental desenvolvidos no município.

Durante o encontro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente apresentou resultados de operações recentes, destacando ações de combate a irregularidades em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e intervenções contra atividades degradantes, como práticas ilegais em carvoarias dentro da APA.

A titular da pasta, Jaciara Costa, ressaltou o papel de Feira de Santana dentro do conselho e a importância das medidas adotadas para garantir o abastecimento de água. Segundo ela, as iniciativas locais, como a recuperação de lagoas e proteção de nascentes, têm impacto direto na qualidade de vida da população.

Alerta científico preocupa especialistas

O evento também abriu espaço para discussões acadêmicas sobre a situação ambiental da região. Pesquisas recentes apontam sinais de alerta na bacia do Rio Paraguaçu. Um dos destaques foi a identificação de uma nova espécie de peixe na região de Utinga, já considerada em risco devido à redução do volume de água nos rios, causada principalmente pela captação excessiva.

Especialistas alertam que a degradação ambiental pode levar à perda de espécies antes mesmo de serem plenamente estudadas, o que representa um prejuízo irreversível para a biodiversidade.

Além disso, estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) investigam a qualidade do pescado no Lago de Pedra do Cavalo. O objetivo é assegurar tanto a saúde dos consumidores quanto a atividade econômica de comunidades que dependem da pesca.

Lagoas e nascentes reforçam identidade histórica da cidade

Outro ponto enfatizado durante a reunião foi a relação histórica de Feira de Santana com seus recursos hídricos. Conhecida como “Santana dos Olhos d’Água”, a cidade mantém uma rede de lagoas, são 36 apenas na área urbana que desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental.

Nos últimos anos, a Prefeitura tem investido na recuperação dessas áreas, com obras voltadas à revitalização de nascentes e espelhos d’água. As intervenções buscam não apenas preservar o meio ambiente, mas também resgatar a identidade histórica do município e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais para as próximas gerações.

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