O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, avaliou que a proposta de criação de um código de ética para os integrantes da Corte enfrentou resistência por ter sido apresentada em um período considerado delicado dentro do tribunal.

Em entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o magistrado afirmou que sua posição nunca foi contrária à existência de normas éticas para os ministros. Segundo ele, a principal divergência sempre esteve relacionada ao contexto em que a discussão foi colocada em pauta.

De acordo com Gilmar, a iniciativa surgiu em meio a debates e questionamentos envolvendo membros do STF, o que acabou gerando interpretações negativas e dificultando a construção de consenso entre os integrantes da Corte.

O ministro também argumentou que a proposta passou a ser vista por alguns colegas como uma tentativa de interferir no foco das discussões que dominavam o ambiente institucional naquele momento. Por isso, na avaliação dele, a medida não encontrou apoio suficiente para avançar.

Gilmar Mendes ainda defendeu que eventuais regras de conduta para o STF precisam levar em consideração as características do sistema jurídico brasileiro. Embora reconheça experiências adotadas em outros países, ele destacou que modelos estrangeiros não podem ser simplesmente reproduzidos sem adaptações à realidade nacional.

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