O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reforçou nesta sexta-feira (3) a importância de seguir os protocolos de investigação após a confirmação do primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol no estado. O paciente, um homem de 56 anos, morreu quatro dias depois de dar entrada em uma unidade de saúde de Feira de Santana, município localizado a cerca de 100 km de Salvador.

Segundo Jerônimo, é fundamental tratar o episódio com responsabilidade, evitando desinformação.

“Não podemos criar alarde ou facilitar a circulação de informações que não sejam verdadeiras. Qualquer confirmação será divulgada oficialmente pela Sesab, em conjunto com o Ministério da Saúde e as prefeituras”, afirmou.

O governador contou que, assim que foi informado, entrou em contato com o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União), e que agora aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML), que devem ser concluídos em até sete dias.

“Todo o procedimento técnico está sendo cumprido. A Vigilância Sanitária acompanha a situação 24 horas por dia. Quero pedir que a população confie no SUS, que está preparado para cuidar desse tipo de ocorrência”, ressaltou.

Ainda de acordo com ele, caso surjam novos casos, o governo estadual manterá diálogo direto com prefeitos, secretários municipais e equipes de saúde para definir estratégias conjuntas.

O paciente, identificado como Marcos Evandro Santana da Costa, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Queimadinha, em Feira de Santana, na segunda-feira (29) e morreu na madrugada desta sexta. Amostras foram coletadas para exames laboratoriais que devem confirmar ou descartar a hipótese de intoxicação.

Situação nacional

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Brasil já contabiliza 59 notificações de intoxicação por metanol até a tarde de quinta-feira (2). Desses, 11 tiveram resultado laboratorial positivo para a substância.

Os casos foram registrados em:

  • 53 em São Paulo;
  • 5 em Pernambuco;
  • 1 no Distrito Federal.

Em São Paulo, o consumo de bebidas adulteradas com metanol, como gin, vodca e uísque, já resultou em internações graves, perda de visão e mortes nas últimas semanas.

Risco do metanol

O metanol é um álcool de uso industrial, presente em solventes e produtos químicos, e extremamente perigoso para consumo humano. No organismo, é metabolizado pelo fígado e gera substâncias tóxicas que podem comprometer o sistema nervoso central, a medula, o nervo óptico e órgãos vitais, levando à cegueira, falência múltipla, coma e até morte.

Medidas de precaução

Na quinta-feira (2), a Secretaria da Saúde da Bahia enviou alerta para hospitais públicos e privados, orientando as equipes a ficarem atentas a sintomas compatíveis com intoxicação por metanol. A pasta reforçou que todos os casos suspeitos devem ser notificados de imediato para garantir uma resposta rápida.

O acompanhamento será feito em conjunto pelas vigilâncias estadual e municipal, com apoio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA).

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