O governo federal anunciou a criação do primeiro hospital público inteligente do Brasil, que será implantado na cidade de São Paulo. O projeto será financiado com recursos de um empréstimo de R$ 1,7 bilhão junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição ligada ao bloco dos Brics. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da presidenta do NDB, Dilma Rousseff.

De acordo com o Ministério da Saúde, a nova unidade será um centro de referência nacional e deve servir de modelo de assistência totalmente digital para outros países integrantes do bloco. O hospital vai atender usuários do Sistema Único de Saúde com foco em medicina de alta precisão, apoiada por inteligência artificial e outras tecnologias avançadas.

O projeto prevê a criação de uma rede integrada de hospitais e serviços inteligentes, com 14 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) automatizadas, interligadas e distribuídas em diferentes estados. Além disso, a iniciativa inclui a modernização de hospitais de excelência que já fazem parte da estrutura do SUS.

Vinculado à Universidade de São Paulo (USP), o novo hospital terá um setor de emergência com 250 leitos e capacidade para atender cerca de 200 mil pacientes por ano. A área de terapia intensiva contará com 350 leitos conectados ao sistema nacional de UTIs inteligentes. Estão previstas ainda 25 salas cirúrgicas. A estimativa do governo é que a unidade esteja concluída em um prazo de três a quatro anos.

Segundo o ministério, a adoção de tecnologias digitais deve permitir a otimização dos processos internos e a melhoria dos resultados clínicos. A expectativa é que o tempo de espera por atendimento especializado em casos de urgência e emergência seja reduzido em mais de cinco vezes.

Durante o evento, o governo também anunciou investimentos em outras unidades do SUS, incluindo hospitais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o novo Hospital Oncológico da Baixada Fluminense, o Hospital do Grupo Conceição, no Rio Grande do Sul, o Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro, além de hospitais federais vinculados à UFRJ e à Unirio. Para a reestruturação da rede federal no Rio, estão previstos R$ 1,2 bilhão em investimentos.

Ao comentar o projeto, o presidente Lula afirmou que o hospital inteligente representa um avanço na valorização do SUS, cuja importância ficou evidente durante a pandemia da covid-19. Segundo ele, o objetivo é garantir que a população mais vulnerável tenha acesso às novas tecnologias de saúde.

O ministro da Saúde destacou que a modernização busca oferecer, gratuitamente, serviços comparáveis aos dos principais hospitais privados do país, e afirmou que o projeto coloca o Brasil em um novo patamar tecnológico. Já a presidenta do NDB informou que o empréstimo terá prazo de pagamento de 30 anos e ressaltou a parceria com países como China e Índia.

Para Dilma Rousseff, o investimento vai além da construção de estruturas físicas e reforça o compromisso com o desenvolvimento, entendido como ampliação do acesso à tecnologia e à saúde de qualidade.

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