O Governo da Bahia publicou no Diário Oficial do Estado um novo decreto autorizando a desapropriação de áreas no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, como parte do projeto da Ponte Salvador–Itaparica. A medida, divulgada no sábado (10), atinge terrenos que, juntos, somam 478.337,49 metros quadrados e foram declarados de utilidade pública em caráter de urgência.

Segundo o decreto, as áreas serão utilizadas para viabilizar os acessos viários da ponte no território de Vera Cruz. O documento é assinado pelo governador Jerônimo Rodrigues, pelo secretário da Casa Civil, Afonso Florence, e pelo titular da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário do Oeste Ponte Salvador–Itaparica (Seponte), Mateus da Cunha.

A responsabilidade por conduzir todo o processo administrativo e judicial das desapropriações ficará a cargo da Concessionária do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. Caberá à empresa promover a indenização dos proprietários dos imóveis atingidos, com recursos próprios, além de recorrer à Justiça, caso necessário, para garantir a imissão na posse das áreas. Após a conclusão dos trâmites, os bens desapropriados passarão a integrar o patrimônio do Estado da Bahia.

O decreto entrou em vigor na data da publicação, com assinatura realizada no Palácio do Governo em 9 de janeiro de 2026.

Um projeto bilionário cercado por demora

Considerada uma das maiores obras de infraestrutura da história da Bahia, a Ponte Salvador–Itaparica tem previsão oficial de início das obras em junho de 2026. O sistema promete integrar a capital baiana ao interior do estado, conectando-se a importantes corredores rodoviários, como as BRs 101, 116 e 242.

O investimento estimado gira em torno de R$ 12 bilhões, envolvendo recursos privados e contrapartida do governo estadual. O projeto prevê cinco grandes trechos: os acessos viários em Salvador, a ponte principal com 12,4 quilômetros de extensão, a chegada à Ilha de Itaparica, o desvio de Mar Grande e a recuperação e duplicação da BA-001, entre Cacha Pregos e a cabeceira da Ponte do Funil.

Apesar do discurso oficial de avanço, o projeto enfrenta críticas crescentes pela lentidão. Anunciada há mais de uma década, a ponte acumula sucessivos adiamentos, revisões de cronograma e entraves burocráticos. A cada novo decreto ou etapa administrativa, aumenta a percepção de que o governo segue “preparando o terreno” enquanto a obra, de fato, não sai do papel.

Para moradores da Ilha de Itaparica, empresários e especialistas em infraestrutura, a demora representa oportunidades perdidas de desenvolvimento econômico, geração de empregos e melhoria logística. A desconfiança cresce à medida que novas desapropriações são anunciadas sem que máquinas estejam em campo ou um cronograma físico-financeiro claro seja apresentado à população.

A Ponte Salvador–Itaparica segue como um projeto estratégico para o estado, mas o desafio do governo é transformar anúncios e decretos em obras concretas. Sem isso, a ponte corre o risco de continuar sendo mais um símbolo de promessas prolongadas do que de integração e progresso real para a Bahia.

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