As declarações do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, em defesa da estrutura provisória que será utilizada nas obras da Ponte Salvador–Itaparica reacenderam um debate antigo: depois de anos de anúncios, adiamentos e novas previsões, parte da população ainda aguarda o início efetivo da construção da maior obra de infraestrutura prometida para o estado.

Durante evento em Salvador nesta quinta-feira (18), Jerônimo afirmou que a chamada “ponte provisória” faz parte do projeto de engenharia e será utilizada para dar suporte à execução da obra, funcionando como uma espécie de plataforma temporária para circulação de trabalhadores, equipamentos e materiais.

Segundo o governador, o empreendimento está próximo de superar as últimas etapas burocráticas e receber a licença necessária para o início das intervenções. Ele também informou que o consórcio responsável já sinalizou condições técnicas para a instalação da primeira estrutura da ponte.  

Apesar das explicações, o tema continua cercado por questionamentos. Isso porque a Ponte Salvador-Itaparica acumula mais de uma década de promessas, revisões de cronograma e sucessivos anúncios de início das obras.

Ainda durante os governos petistas anteriores, a expectativa era de que o projeto avançasse rapidamente após a assinatura dos primeiros acordos. Ao longo dos anos, diferentes datas foram apresentadas para o início da construção, mas o empreendimento permaneceu sem obras efetivas no local.  

Em janeiro de 2024, por exemplo, o próprio governo trabalhava com a expectativa de chegada de embarcações e início de etapas preparatórias, mas o cronograma acabou sendo alterado. Na época, Jerônimo reconheceu os atrasos e atribuiu a situação a questões operacionais e negociações em andamento.  

Nos últimos anos, também foram divulgadas diversas previsões para o avanço do projeto, incluindo sondagens, instalação de canteiros, etapas de licenciamento e início das fundações. Somente em 2025 e 2026, representantes do governo voltaram a estabelecer novos marcos para o começo da construção.  

Agora, com a autorização para novas intervenções e a chegada de equipamentos ao estado, o governo sustenta que o projeto finalmente entrou na fase que antecede a construção física da ponte. A promessa mais recente é que as obras saiam definitivamente do papel após a conclusão das últimas exigências técnicas e ambientais.  

Enquanto isso, a oposição mantém as críticas e cobra resultados concretos. Para muitos baianos, a principal expectativa não está mais nos anúncios ou apresentações técnicas, mas na confirmação do início das obras em campo, após anos de espera por um empreendimento considerado estratégico para a mobilidade e o desenvolvimento econômico da Bahia.

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Redação : Valter Junior 

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