O avanço das apostas online no Brasil vem sendo acompanhado por um movimento crescente de autoproteção por parte dos próprios jogadores. Levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, aponta que mais de 217 mil pessoas já solicitaram a autoexclusão de plataformas de bets desde a criação do sistema nacional.

A ferramenta, lançada em dezembro de 2025, permite que o cidadão bloqueie voluntariamente o acesso a sites de apostas e às publicidades relacionadas ao jogo, por um período definido ou de forma permanente. Após o registro do pedido, as operadoras são obrigadas a efetivar o bloqueio em até 72 horas, conforme determinação da secretaria.

Os dados revelam que a decisão de se afastar das apostas está diretamente ligada a preocupações pessoais. Cerca de 37% dos solicitantes afirmaram ter perdido o controle sobre o jogo ou relataram impactos na saúde mental. Outros 25% apontaram o receio com o uso indevido de dados pessoais como principal motivo para aderir ao bloqueio.

A maior parte das solicitações aproximadamente 73%  optou pela exclusão por tempo indeterminado. Nesse caso, o retorno às plataformas só é permitido mediante apresentação de laudo médico e após análise da SPA, com prazo mínimo de 30 dias. Já 19% escolheram se afastar das apostas por um período de um ano.

A criação do sistema de autoexclusão ocorreu em meio à regulamentação do setor no país e passou a concentrar, em um único ambiente, mecanismos que antes dependiam da iniciativa individual de cada operadora. Para o governo, a plataforma se tornou um dos principais instrumentos de jogo responsável.

Apesar do aumento nos pedidos de bloqueio, o mercado de apostas segue em forte expansão. Em 2025, cerca de 25,2 milhões de brasileiros participaram de apostas em plataformas autorizadas, movimentando aproximadamente R$ 37 bilhões. Esse volume resultou em uma arrecadação de R$ 8,8 bilhões em tributos federais, entre janeiro e novembro, segundo a Receita Federal.

No campo da fiscalização, a SPA informou que instaurou 132 processos administrativos envolvendo 133 casas de apostas ao longo do ano passado. A maioria ainda está em tramitação e pode resultar em sanções. O órgão também intensificou o combate à publicidade irregular, especialmente nas redes sociais, em ações conjuntas com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

O cenário evidencia um paradoxo: enquanto o setor cresce e movimenta bilhões, aumenta também o número de brasileiros que reconhecem os riscos do jogo e buscam, por conta própria, limitar o acesso às apostas online.

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