Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, colocaram o senador baiano Otto Alencar (PSD) no centro de uma série de conversas mantidas pelo empresário com o advogado Ciro Soares.

Nos diálogos, Vorcaro chegou a se referir a Otto como “conselheiro” e “comandante”. As conversas ocorreram entre 2024 e 2025 e mostram Ciro Soares fazendo a ponte entre os dois, transmitindo recados, enviando fotos e tentando aproximar o banqueiro do senador. 

Em uma conversa de maio de 2024, Ciro avisou Vorcaro que Otto queria falar com ele. Depois de uma tentativa de ligação, o empresário mandou um recado ao senador e escreveu que ele era “conselheiro e comandante”.

Meses depois, em dezembro daquele ano, Ciro voltou a procurar Vorcaro e afirmou que Otto havia feito um “movimento grande” em favor dele e que estaria aguardando o empresário.

As referências a Otto continuaram em 2025. Em novembro, Ciro informou que estava com o senador e que ele perguntava por Vorcaro. Em outro episódio, ocorrido em junho, o advogado disse que Otto estava com saudades do banqueiro. Vorcaro respondeu afirmando que também sentia saudades.

As mensagens ainda registram conversas sobre uma possível viagem a Londres para um evento patrocinado pelo Banco Master. Segundo o material analisado pela PF, Ciro tentava convencer Otto a participar da viagem.

Outro trecho chama atenção por envolver o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em março de 2025, Ciro relatou a Vorcaro uma conversa que teria tido com Campos Neto e afirmou que Otto havia reagido contra o ex-presidente do BC em defesa de interesses ligados ao empresário. Esse relato, porém, aparece nas mensagens como uma afirmação feita pelo advogado e não como uma confirmação independente da PF sobre o episódio.

O relatório também aponta diversas tentativas de marcar encontros presenciais entre Otto e Vorcaro, inclusive em Salvador e Brasília. 

Otto nega relação com Vorcaro

A relação descrita nas mensagens foi negada por Otto Alencar. O senador afirmou que não é investigado no caso e negou ter participado de encontros, festas ou viagens com Vorcaro.

Segundo apuração do UOL, porém, Otto posteriormente admitiu ter conversado algumas vezes por telefone com Vorcaro por meio do celular de Ciro Soares. De acordo com o senador, o empresário buscava apoio para uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”, relacionada à cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Otto afirmou que não apoiou a proposta. 

Ciro Soares também negou ter organizado encontros presenciais entre Otto e Vorcaro.

Até o momento, as mensagens reveladas pela investigação mostram principalmente a forma como Vorcaro e Ciro Soares tratavam o senador nas conversas e as tentativas de aproximação registradas no material apreendido. Isso, por si só, não comprova que Otto tenha participado de qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master.

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