Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou que uma mulher identificada como Rhavenna Almeida, investigada na Operação Fariseus, teria recebido diversos benefícios do Comando Vermelho (CV) em troca de prestar apoio à organização criminosa, incluindo a lavagem de dinheiro.

De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a facção chegou a bancar uma cirurgia plástica para a investigada. Segundo a polícia, ela também recebia proteção e outros favores de integrantes do grupo criminoso.

As investigações apontam que Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado como integrante da facção e foragido da Justiça desde 2024.

Ainda conforme a Polícia Civil, a suspeita utilizava um projeto de evangelização ligado à igreja onde seus pais atuam como pastores para manter contato com integrantes do Comando Vermelho, inclusive presos e foragidos. A apuração indica que ela também auxiliava na comunicação e na logística da organização criminosa.

Os investigadores identificaram viagens frequentes da mulher ao Rio de Janeiro, onde ela permanecia em comunidades dominadas pela facção. Em uma dessas visitas, ela teria ido ao imóvel utilizado por “Batman”.

Durante a operação, aparelhos eletrônicos apreendidos revelaram fotos e vídeos em que Rhavenna aparece segurando um fuzil com acabamento dourado. Os investigadores também encontraram registros de videochamadas com lideranças do Comando Vermelho. Em uma das gravações, um dos criminosos aparece efetuando disparos de fuzil enquanto conversa com a investigada.

Deflagrada na quinta-feira (16), a Operação Fariseus apura a atuação de uma família suspeita de utilizar um projeto religioso como fachada para favorecer o Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, os investigados aproveitavam o acesso às unidades prisionais para transmitir recados entre membros da facção, aproximar familiares de detentos, movimentar recursos financeiros e prestar suporte logístico ao grupo.

Além de um mandado de prisão preventiva, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados e determinou, de forma temporária, a proibição de acesso deles aos presídios por meio de projetos religiosos.

A investigação também apura um esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a polícia, recursos atribuídos ao Comando Vermelho eram movimentados por contas de familiares e terceiros para ocultar sua origem. Parte desses valores teria sido usada para custear viagens, comprar veículos e pagar procedimentos estéticos.

Os investigados poderão responder, conforme o envolvimento de cada um, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura.

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