A morte do comerciante Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como Léo Lanches, voltou a levantar um questionamento que há muito tempo acompanha a população baiana: afinal, a segurança pública realmente está melhorando?
Nos últimos meses, o Governo da Bahia tem divulgado investimentos, operações policiais e números que apontam redução em alguns indicadores da criminalidade. Mas episódios como o de Léo fazem crescer a sensação de que, para quem vive nas comunidades, a realidade muitas vezes é diferente da apresentada nos discursos oficiais.
Leonardo morreu após ser baleado na cabeça durante uma ocorrência policial na noite de quinta-feira (23), no bairro de São Cristóvão, em Salvador. A família afirma que ele retornava do mercado, de motocicleta, quando foi abordado por policiais militares. Já a Polícia Militar informou que equipes faziam rondas na região, ouviram disparos e encontraram o comerciante ferido, prestando socorro em seguida. Ele foi levado ao Hospital Geral Menandro de Faria, mas não resistiu.
As versões diferentes aumentaram a cobrança por uma investigação transparente. Em nota publicada nas redes sociais, o governador Jerônimo Rodrigues lamentou a morte e afirmou que o caso será apurado com rigor.
A resposta, porém, ainda não é suficiente para familiares, amigos e moradores da região, que esperam mais do que uma promessa de investigação. Eles querem saber exatamente o que aconteceu naquela noite e se houve excesso na ação policial.
O caso de Leo vai também além de uma única ocorrência. Enquanto o governo apresenta resultados e defende que os índices de violência estão em queda, muitos baianos continuam convivendo com o medo da criminalidade e, em alguns casos, com dúvidas sobre a atuação das forças de segurança.
Mais do que divulgar estatísticas, o desafio das autoridades é fazer com que a população sinta, na prática, que está vivendo em um estado mais seguro. A investigação sobre a morte de Léo Lanches pode esclarecer o que aconteceu naquela noite, mas também servirá como mais um teste para medir a confiança da sociedade nas instituições responsáveis pela segurança pública.
Redação: Valter Junior