O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) confirmou que manteve contato em duas ocasiões com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, após a divulgação de áudios e mensagens que mostram uma relação mais próxima entre os dois do que havia sido relatado anteriormente.

Em uma das conversas, registrada em março de 2025, Nikolas procurou Vorcaro para pedir ajuda em uma questão envolvendo um ativo minerário ligado ao advogado Thiago Rodrigues de Faria, que já foi assessor do parlamentar. No áudio, o deputado encaminha o contato de Faria e pede que os dois tratem diretamente do assunto.

Vorcaro respondeu ao parlamentar e, posteriormente, recebeu o contato do advogado. Pelas mensagens divulgadas, não há confirmação de que o encontro entre eles tenha ocorrido ou de que o pedido tenha sido atendido.

A divulgação das conversas ganhou ainda mais repercussão depois que mensagens atribuídas a Vorcaro mostraram o ex-banqueiro afirmando que teria bancado voos utilizados por Nikolas. A declaração aparece em uma conversa de 2024, após o deputado fazer críticas a um evento patrocinado pelo Banco Master em Londres.

Nikolas também já havia utilizado um jatinho ligado a Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022. Na época, o parlamentar afirmou que inicialmente não sabia quem era o proprietário da aeronave.

Diante das novas revelações, Nikolas admitiu os contatos com Vorcaro, mas rejeitou qualquer irregularidade. Segundo o deputado, não houve contrato fechado entre os dois e ele afirma nunca ter recebido dinheiro do ex-banqueiro.

O caso ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (3). A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que as novas informações sejam analisadas e que seja avaliada a possibilidade de ouvir Nikolas e Thiago Faria no inquérito relacionado ao Banco Master.

O pedido, por si só, não significa que os dois sejam considerados culpados ou que exista uma conclusão sobre eventual irregularidade. A apuração deverá esclarecer a natureza dos contatos, o negócio envolvendo o ativo minerário e se houve algum benefício decorrente das tratativas.

Até o momento, Nikolas mantém a versão de que os contatos não envolveram qualquer prática irregular e nega ter recebido valores de Vorcaro. 

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