Durante a inauguração do comitê Jero-Lula, realizada no sábado (29), na Avenida Presidente Dutra, em Feira de Santana, o deputado federal Zé Neto chamou atenção ao falar sobre investimentos dos governos estadual e federal no município. Ao defender a atuação do grupo político, ele questionou: “O que seria de Feira sem nós?”
A declaração foi feita em meio aos discursos do evento e, além de destacar as ações realizadas, acabou trazendo uma questão política que não pode ser ignorada. Afinal, Zé Neto fala como um dos principais representantes do grupo político que governa a Bahia e tem influência no cenário nacional, mas também é um nome que há anos tenta chegar à Prefeitura de Feira de Santana.
O deputado disputou o cargo em diferentes eleições e não conseguiu vencer. Em 2016, terminou atrás de José Ronaldo. Quatro anos depois, chegou ao segundo turno, mas perdeu para Colbert Martins. Em 2024, voltou a concorrer e novamente ficou em segundo lugar, desta vez atrás de José Ronaldo.
Os resultados mostram que o eleitor feirense teve mais de uma oportunidade para escolher Zé Neto como prefeito e, até agora, fez outra opção. Isso não significa que sua atuação parlamentar ou sua participação na busca por recursos para a cidade devam ser ignoradas. Investimentos destinados a Feira precisam ser reconhecidos independentemente de quem esteja no palanque.
O problema está quando obras e recursos públicos passam a ser apresentados como se fossem uma espécie de favor de determinado grupo político. Dinheiro público não pertence a partido, deputado, governador ou presidente. Cabe aos governantes buscar recursos, executar obras e prestar contas à população.
Feira de Santana também não começou com Zé Neto, com Lula, com Jerônimo Rodrigues ou com qualquer outro político. A cidade cresceu muito antes deles e continua sendo construída diariamente por quem trabalha, empreende e vive aqui.
A frase acontece ainda em um momento em que os grupos políticos começam a se movimentar de olho nas eleições de 2026. É natural que cada lado apresente suas realizações e tente mostrar ao eleitor por que merece continuar no poder ou conquistar espaço.
Mas, diante da pergunta feita por Zé Neto, talvez seja justo lembrar que Feira não depende de um único grupo político. A cidade é maior que qualquer eleição e que qualquer projeto de poder.
No fim, quem deve decidir o que foi feito, quem fez e qual foi a importância de cada investimento não é o palanque. É o próprio eleitor de Feira de Santana.
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Redação: Valter Junior