Uma ofensiva da Polícia Civil de São Paulo, realizada nesta terça-feira (9), mirou uma quadrilha especializada em crimes cibernéticos e movimentações milionárias. Batizada de Operação Azimut, a ação busca neutralizar um esquema que combinava furto digital, lavagem de dinheiro e atuação organizada contra empresas do setor financeiro.

Os investigadores da 2ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (Deic) cumpriram 12 ordens de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão, distribuídos entre São Paulo, Hortolândia e Campinas.

Golpe milionário contra fintech

De acordo com a apuração, o grupo invadiu o sistema de uma empresa que presta serviços de recebíveis e pagamentos, utilizando acessos reais, mas obtidos de forma irregular. Com as credenciais, os criminosos movimentaram valores sem autorização da companhia.

O ataque foi registrado em 8 de janeiro de 2025 e resultou no desvio de R$ 19,2 milhões, transferidos para contas ligadas à organização.

Lavagem bilionária e sinais de esquema antigo

Ao rastrear as transações, os investigadores chegaram a uma empresa que recebeu R$ 7 milhões do montante subtraído. Essa companhia, segundo a polícia, movimentou R$ 6,8 bilhões em dois anos, volume incompatível com as atividades que declara exercer.

Para os investigadores, o fluxo bilionário revela que o grupo já atuava com estrutura profissional, ampliando os crimes para outras instituições financeiras e utilizando negócios de fachada para lavar o dinheiro.

Outras fraudes e possível participação interna

A fintech atacada trabalha como correspondente bancário e oferece serviços de antecipação de recebíveis e gestão financeira via aplicativo. A polícia suspeita que o mesmo núcleo criminoso já tenha golpeado bancos e outras empresas do ramo.

Documentos e equipamentos recolhidos na operação passarão por perícia para rastrear novos envolvidos e o caminho do dinheiro. Também está sendo investigada a possível participação de funcionários com acesso privilegiado ou o vazamento interno de credenciais.

Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, furto qualificado por fraude e lavagem de dinheiro, crimes que podem levar a mais de 30 anos de prisão, caso somadas as penas.

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