Depois de ficar novamente sem mandato, pastor Tom critica aliados, questiona a gestão de Feira de Santana e expõe divergências com o grupo de José Ronaldo. Tom recebeu 33.852 votos para deputado estadual em 2026, mas terminou como suplente. Foram 7.449 votos a mais que em 2022, sem conseguir a vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, após sua derrota afirmou que não apoiaria José Ronaldo se a eleição para prefeito de Feira de Santana fosse hoje.

Em entrevista recente, Tom disse que ainda não havia recebido ligação das lideranças do grupo. Também afirmou saber de onde teria faltado apoio à sua candidatura. A declaração veio acompanhada de uma ressalva: ainda há tempo para conversar até a eleição municipal de 2028.

A insatisfação também apareceu na noite desta quinta-feira (15), durante o podcast Tom É Meu Amigo Sem Filtro, que recebeu o empresário, presidente do diretório municipal do Progressistas (PP) em Feira de Santana Yuri Guimarães. Na conversa, a gestão de José Ronaldo foi criticada, e Tom voltou a falar sobre o apoio que esperava receber dos próprios aliados. Ao tornar público esse descontentamento, o pastor expõe uma relação política que já vinha acumulando divergências.

Críticas a Feira depois de falar da própria base

Tom também passou a afirmar que tem percorrido Feira de Santana e que a cidade está regredindo. A declaração chama atenção porque, dias antes, ele teria falado positivamente sobre sua base política.

A diferença entre as falas merece ser observada. O que mudou na avaliação do pastor em tão pouco tempo? A crítica à situação do município tem relação com uma nova leitura da cidade ou com o desentendimento político que veio à tona depois da eleição? As declarações, por si só, não permitem afirmar o motivo, mas colocam a mudança de discurso em evidência.

Atritos políticos não começaram agora

Em 2020, quando era deputado estadual, Tom reclamou publicamente da dificuldade de conversar com o então prefeito Colbert Martins. Colbert respondeu cobrando que o parlamentar esclarecesse quantos cargos tinha na administração municipal e disse estar disposto a dialogar.

Naquele mesmo ano, Tom perdeu o mandato por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, em um processo relacionado à comprovação de filiação partidária para sua candidatura de 2018.

Depois da eleição de 2022, quando recebeu 26.403 votos, o pastor voltou a demonstrar insatisfação com o grupo de José Ronaldo e Colbert. Na ocasião, revelou ter recebido um convite de integrantes do PT para apoiar Jerônimo Rodrigues no segundo turno da disputa pelo governo da Bahia.

No ano seguinte, falou sobre a intenção de disputar a Prefeitura de Feira em 2024, mas não chegou a oficializar a candidatura. Já durante a campanha de 2026, acusou aliados de usar a imagem de José Ronaldo enquanto apoiavam Jerônimo Rodrigues. Essa acusação foi feita por Tom e não tem comprovação independente apresentada neste texto.

O apoio religioso entrou na conta?

A ligação de Tom com o meio evangélico também faz parte de sua trajetória política. Ele contou com apoio de lideranças religiosas, mas não há como presumir que esse respaldo represente o voto de toda a comunidade evangélica.

A votação cresceu em relação a 2022, porém continuou insuficiente para garantir uma cadeira na Assembleia. A falta de apoio de aliados pode ter pesado, como afirma o pastor, mas a campanha também depende de articulação, estratégia e capacidade de conquistar eleitores além de sua base mais próxima.

Ao atribuir parte do resultado à falta de apoio, Tom coloca os aliados no centro de sua explicação. Mas há outra pergunta que permanece: além de cobrar o grupo, ele está disposto a avaliar o próprio desempenho e a forma como sua imagem é recebida pelo eleitorado? O aumento da votação mostra que conquistou mais votos do que na eleição anterior; não ter sido eleito mostra que esse crescimento ainda não bastou.

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Redação: Valter Junior 

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