A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (3), uma operação em Curaçá, no norte da Bahia, e em Brasília, para avançar na investigação sobre a presença de um vírus considerado potencialmente letal entre ararinhas-azuis mantidas em programas de conservação. Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

A apuração teve início após o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmar, em novembro, que as 11 ararinhas-azuis em vida livre na Caatinga haviam testado positivo para o circovírus — um patógeno sem histórico de ocorrência em aves silvestres no Brasil. No dia seguinte, o órgão informou que outras 20 aves também apresentaram resultado positivo.

As investigações apontam que empresas responsáveis pela reintrodução da espécie na natureza podem ter descumprido medidas sanitárias obrigatórias. Segundo a PF, durante a Operação Blue Hope, aves e equipamentos eletrônicos foram apreendidos. A corporação afirma ainda que o criadouro investigado teria resistido às recomendações emergenciais determinadas pelo ICMBio, como isolamento sanitário, testagem contínua e recolhimento das aves que estavam soltas.

Os investigados podem responder por três crimes: disseminação de doença capaz de afetar a fauna, morte de animal silvestre e obstrução de fiscalização ambiental. As penas, somadas, podem chegar a oito anos de prisão, além de multas e demais sanções administrativas.

Irregularidades apontadas

As vistorias realizadas por equipes do ICMBio, Inema e PF indicaram que regras básicas de biossegurança não estavam sendo cumpridas. Relatórios apontam desde instalações sem limpeza adequada incluindo comedouros com fezes acumuladas, até funcionários realizando manejo sem equipamentos de proteção individual. As falhas levaram à aplicação de multa de aproximadamente R$ 1,8 milhão ao criadouro.

O que diz o criadouro

A administração do Criadouro Ararinha-Azul contesta todas as acusações. A instituição afirma manter 103 ararinhas sob cuidados, sendo 98 com resultado negativo para circovírus, e declara seguir protocolos rígidos de biossegurança. A equipe alega que oferece alimentação balanceada, monitoramento veterinário permanente e ambiente adequado ao bem-estar da espécie.

O criadouro, que não utiliza recursos públicos e opera com financiamento majoritariamente internacional, também argumenta que o surgimento de filhotes em cativeiro demonstra a qualidade do manejo. A direção sustenta ainda que há divergências entre metodologias laboratoriais: enquanto alguns testes detectaram o vírus em todas as aves de vida livre, exames convencionais teriam confirmado positividade apenas em cinco delas.

Segundo a instituição, as aves diagnosticadas estão isoladas, com equipes e utensílios exclusivos para evitar qualquer contato com o restante do plantel. Duas maracanãs mantidas no local também testaram negativo.

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