A Polícia Federal indiciou o ex-ministro da Previdência do governo Jair Bolsonaro, Ahmed Mohamad Oliveira, conhecido anteriormente como José Carlos Oliveira, por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes relacionadas a descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo as investigações, o ex-ministro teria recebido R$ 550 mil por meio de empresas de fachada ligadas ao empresário Cícero Marcelino de Souza, apontado pela PF como operador financeiro vinculado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). As transferências teriam sido realizadas em três operações entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023.
Os investigadores afirmam ainda que parte da suposta propina também foi paga em espécie. Conforme o relatório da corporação, uma entrega de R$ 500 mil em dinheiro teria ocorrido em 10 de agosto de 2022. O valor, segundo a PF, foi repassado a José Laudenor da Silva, conhecido como “Dinho”, funcionário de confiança do então ministro, que seria o destinatário final dos recursos.
A investigação aponta que Ahmed Mohamad Oliveira era identificado em planilhas e mensagens internas da organização criminosa pelos codinomes “Abou Yasser”, “Yabo”, “São Paulo” e “O Ministro”.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-ministro teria recebido vantagens indevidas para garantir que o INSS não adotasse medidas contra o esquema de fraudes. O relatório também atribui a ele a transferência da gestão de um acordo de cooperação técnica para a Diretoria de Benefícios e a liberação de R$ 15,3 milhões que estavam retidos, sem a exigência da documentação técnica prevista.
O caso segue sob investigação, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.