A Polícia Civil da Bahia concluiu o inquérito e indiciou o empresário Adalberto Argolo dos Santos pelo crime de racismo qualificado, com base em publicações feitas nas redes sociais. A investigação teve início após denúncias de duas ex-funcionárias, que afirmam ter sido vítimas de agressões físicas, ameaças e ofensas racistas. O empresário nega todas as acusações.
De acordo com as vítimas, Mônica Freitas e Naiane Ferreira, os episódios mais recentes ocorreram na terça-feira (6), em um centro empresarial de Salvador, onde elas teriam sido agredidas pelo antigo chefe. Apesar do relato, ninguém foi preso até o momento.
As duas trabalharam por pouco mais de um ano na empresa do investigado e afirmam que, durante esse período, conviviam com constantes ameaças. Segundo Mônica, as intimidações faziam parte da rotina de trabalho.
“Ele dizia que, se a gente saísse da loja para trabalhar com outra pessoa, iria nos matar. Falava em traição, vingança, desvio de clientes. Toda reunião tinha ameaça”, relatou.
Há cerca de quatro meses, Mônica e Naiane deixaram o emprego, mas continuaram atuando no mesmo edifício comercial onde funciona a empresa do suspeito. Conforme Naiane, mesmo após a saída, as intimidações seguiram acontecendo nos corredores do prédio. O medo, segundo elas, impediu que a denúncia fosse feita imediatamente.
O caso ganhou novos contornos no fim de dezembro de 2022, quando o empresário publicou imagens nas redes sociais comparando equipes de confraternizações de anos diferentes. Nas postagens, ele associou a presença de pessoas negras a termos pejorativos e afirmou que o “nível melhorou” após uma suposta “clareada” na equipe, fazendo comparações com países africanos e europeus.
As ex-funcionárias salvaram as publicações e as apresentaram à polícia como prova. Procurado pela reportagem, Adalberto Argolo dos Santos alegou que as imagens divulgadas são montagens e reafirmou que não cometeu os crimes apontados.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que agora irá analisar se oferece denúncia à Justiça. O caso segue em apuração.