As investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelaram detalhes do esquema criminoso que levou à condenação de dez policiais penais e outros dois envolvidos por crimes praticados no Conjunto Penal de Feira de Santana. Segundo a denúncia, integrantes do grupo chegavam a cobrar R$ 5 mil para permitir a entrada de cada quilo de droga na unidade prisional.
Os condenados foram alvos da Operação Sísifo, deflagrada entre 2023 e 2024. A Justiça os responsabilizou por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e facilitação da entrada de celulares e outros materiais proibidos no presídio.
De acordo com o MP-BA, os valores cobrados pelos ilícitos eram negociados por meio de aplicativos de mensagens. A investigação aponta que o policial penal Valmir Pereira de Jesus, apontado como líder do esquema, acertou, em 3 de janeiro de 2023, a entrada de nove celulares por R$ 2,5 mil cada, duas balanças por R$ 2 mil cada e dois quilos de drogas por R$ 5 mil cada. A negociação totalizou R$ 36,5 mil.
O Ministério Público também relaciona o esquema à escalada de violência registrada no início de janeiro de 2023. Conforme a denúncia, três detentos foram assassinados dentro do Conjunto Penal de Feira de Santana no dia 7 daquele mês, enquanto outras seis mortes ocorreram fora da unidade um dia antes. As investigações indicam que os crimes tiveram ligação com uma disputa interna entre integrantes da facção Comando Vermelho (CV), após o rompimento entre duas lideranças.
Para o MP-BA, a entrada clandestina de celulares foi decisiva para facilitar a comunicação entre os criminosos e acelerar a sequência de homicídios. O órgão sustenta que os policiais utilizaram o conhecimento sobre a rotina da unidade e a função que exerciam para permitir a entrada dos materiais ilícitos.
Além de Valmir Pereira de Jesus, também foram condenados os policiais penais Vitor Cerqueira de Oliveira, Ednilson Santana Mota, Isaías Gregório de Miranda Filho, Yure Pinheiro Costa, Gildo de Lima Almeida, Valter Ferreira de Almeida, Leandro Calazans Amaral, Rosana Souza de Oliveira e Luana Priscilla de Jesus Moitinho.
Também receberam condenação Emerson Carmo dos Santos, por lavagem de dinheiro e organização criminosa, e Genivaldo Reis dos Santos, por corrupção ativa e organização criminosa.
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) informou que todos os policiais penais permanecem afastados das atividades e sem receber remuneração. A pasta esclareceu ainda que a perda definitiva dos cargos públicos somente poderá ocorrer após o trânsito em julgado da ação, já que a decisão ainda pode ser alvo de recursos.
Fonte: Ministério Público da Bahia (MP-BA) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap).