O governo brasileiro decidiu postergar a análise da aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos após um gesto de aproximação do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que sinalizou a possibilidade de uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com fontes diplomáticas e integrantes do Executivo, a intenção de manter abertas as portas para o diálogo entre os dois países pesou para que o tema fosse tratado com mais cautela. A proposta de retaliação estava prevista para ser votada na última reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), mas acabou retirada da pauta.

No fim de agosto, o Itamaraty havia provocado a Camex — colegiado que reúne diversos ministérios — para avaliar a adoção de medidas em resposta à tarifa de 50% imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Pelo cronograma oficial, o Gecex tinha até 30 dias para apresentar um relatório e definir a estratégia de reação, mas a deliberação foi adiada. Uma nova reunião pode ser convocada nos próximos dias.

Diplomatas afirmam que a postergação reflete negociações de bastidores para evitar que uma medida de reciprocidade prejudique possíveis avanços nas conversas bilaterais. Membros do Gecex também temem que uma retaliação brasileira provoque novas sanções por parte de Washington.

O cenário ganhou ainda mais relevância depois do discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU. Ele revelou ter trocado algumas palavras com Lula e disse esperar um diálogo mais aprofundado com o líder brasileiro nesta semana. A possibilidade de um encontro, considerada improvável até recentemente, reforçou a avaliação de que o Brasil deve agir com prudência para não criar obstáculos ao reatamento das relações.

Nesse contexto, a eventual aplicação da Lei de Reciprocidade — que prevê medidas de retaliação econômica — passou a ser vista como um assunto delicado, exigindo avaliação mais cuidadosa antes de qualquer decisão.

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