O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, nesta quinta-feira (14), o afastamento do prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão é resultado das investigações da Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que apura um esquema de pagamento de propina envolvendo empresários com contratos na administração municipal.
De acordo com a PF, o prefeito recebia a maior parte dos valores ilícitos, intermediados por pessoas próximas a ele. Durante a operação, policiais encontraram R$ 14 milhões em espécie no apartamento de Paulo Iran Paulino da Costa, assessor parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Paulo Iran, que está foragido, é apontado como responsável por pagar despesas pessoais da família do prefeito.
Ainda segundo as investigações, Paulo Iran e Antonio Rene da Silva, diretor da Secretaria de Coordenação Governamental, utilizavam celulares clandestinos e códigos para se referir a pessoas e empresas envolvidas no esquema, evitando menções diretas e dificultando o rastreamento.
Além do afastamento de Marcelo Lima por um período de um ano, a Justiça determinou que ele use tornozeleira eletrônica e não deixe a cidade sem autorização judicial. Também foram afastados Danilo Lima (Podemos), presidente da Câmara Municipal e primo do prefeito, e Ari José de Oliveira (PRTB), suplente de vereador. Antonio Rene teve a prisão preventiva decretada.
Durante a ação, policiais federais apreenderam quase R$ 2 milhões em espécie na residência de um empresário, que foi preso em flagrante. O dinheiro foi contado com auxílio de uma máquina especializada.
Defesas e posicionamentos
A Prefeitura de São Bernardo do Campo informou que colaborará com as investigações. O partido Podemos declarou confiar na lisura do prefeito Marcelo Lima. O advogado de Paulo Iran disse que irá se manifestar apenas nos autos do processo. Ari de Oliveira afirmou desconhecer qualquer apuração contra ele. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno da defesa de Danilo Lima e de Antonio Rene.
A investigação, iniciada em julho, segue em andamento para identificar todos os envolvidos e a origem total dos valores apreendidos.