A Prefeitura de Feira de Santana e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) deram um novo passo no enfrentamento à violência contra a mulher. Os órgãos assinaram, nesta sexta-feira (14), um termo de cooperação para implantação de grupos reflexivos voltados a homens que praticaram violência doméstica e familiar.
A assinatura ocorreu no Salão Nobre da Prefeitura, com a participação de representantes do município e do Judiciário. A proposta é utilizar o diálogo, a orientação e o acompanhamento especializado como instrumentos para estimular mudanças de comportamento e evitar que novos episódios de violência aconteçam.
Os encontros deverão contar com profissionais de diferentes áreas, entre eles psicólogos, assistentes sociais e pedagogos. A atuação multidisciplinar permitirá abordar os participantes não apenas sobre as consequências dos atos praticados, mas também sobre responsabilidade, convivência, respeito e formas de romper comportamentos violentos.
Durante a solenidade, a desembargadora Nágila Brito ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da atuação conjunta entre os órgãos públicos. Para ela, os grupos representam mais uma ferramenta dentro da rede de proteção prevista pela legislação.
A iniciativa também amplia uma frente que já possui histórico de atuação em Feira de Santana. Um estudo acadêmico da Universidade Federal da Bahia (UFBA) analisou experiências de grupos reflexivos realizados pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do município e destacou a proposta como uma estratégia de prevenção e conscientização.
A ideia é que o trabalho com os autores de violência não substitua as medidas previstas pela Justiça, mas funcione como uma ação complementar de responsabilização e prevenção. Na prática, a expectativa é contribuir para interromper ciclos de violência e fortalecer a proteção oferecida às mulheres.
A parceria entre Prefeitura e TJ-BA coloca Feira de Santana dentro de uma estratégia que vem sendo adotada em diferentes partes do país: trabalhar também com os autores da violência como forma de prevenção, sem retirar o foco da proteção e dos direitos das vítimas.