O deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT), de 62 anos, passou a ocupar o centro das atenções após ser apontado como principal alvo da mais recente fase da Operação Overclean, deflagrada nesta terça-feira (13) pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, além de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Distrito Federal e em municípios baianos, como Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
Na capital baiana, agentes estiveram no edifício Mansão Windberger, localizado no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador conhecida pelo alto valor imobiliário. O empreendimento chama atenção pelo padrão de luxo: vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos, acesso direto ao mar, píer, ancoradouro para embarcações e até teleférico interno. Os apartamentos chegam a quase mil metros quadrados, com valores que ultrapassam a casa dos R$ 50 milhões. O prédio é residência de figuras conhecidas do meio artístico e esportivo.
Natural de Itabuna, no sul da Bahia, Félix Mendonça Jr. é filho do ex-deputado federal Félix Mendonça, falecido em 2020, vítima da Covid-19. Ele ingressou na Câmara dos Deputados em 2010 e está atualmente em seu quarto mandato consecutivo.
Nas eleições de 2022, conforme dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o parlamentar informou possuir patrimônio aproximado de R$ 3 milhões. Entre os bens declarados estão um imóvel na Praia do Forte, avaliado em cerca de R$ 660 mil, e uma embarcação estimada em R$ 200 mil.
Entenda a Operação Overclean
A Operação Overclean teve sua primeira fase deflagrada em dezembro de 2024, quando foram cumpridos 59 mandados judiciais e 16 pessoas acabaram presas em ações realizadas na Bahia, em São Paulo e em Goiás. As investigações indicam a existência de um esquema estruturado para desviar recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Segundo a Polícia Federal, os valores eram direcionados para licitações previamente manipuladas. Servidores públicos facilitavam a contratação de empresas específicas, que posteriormente superfaturavam os serviços executados, permitindo o desvio de parte significativa do dinheiro público.
Nesta nova etapa, o STF determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida tem como objetivo impedir a continuidade da movimentação de recursos de origem suspeita e preservar valores para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraudes em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Enquanto as investigações avançam, o caso reacende o debate sobre o uso de emendas parlamentares e a fragilidade dos mecanismos de controle, num cenário em que sucessivos escândalos expõem falhas estruturais na fiscalização do dinheiro público.